sexta-feira, 11 de junho de 2010

A psicologia dos trabalhos manuais

“As atividades manuais, principalmente as que utilizam fios (tricô, crochê e tecelagem), possuem imenso valor na terapia biográfica, pois a pessoa participa da própria criação, de cada etapa do processo: começo, meio e fim. Ela visualiza o produto terminado e isso fortalece a vontade, a coordenação psicomotora, além de organizar emoções, ficando assim mais centrada. O gesto de costurar, bordar, tecer, de estar fazendo um trabalho manual nos chama a atenção, pois ele sempre reúne as nossas mãos diante do coração (o órgão do afeto), para que então as agulhas e linhas gravem nos tecidos, os nossos sentimentos, os nossos pensamentos, o que realmente somos.”

Autor: http://pt.shvoong.com/humanities/1677081-import%C3%A2ncia-dos-trabalhos-manuais-na/

Eu estava pesquisando na internet sobre esta relação tão antiga – psicologia e trabalhos manuais – e me deparei com este texto. Ele consegue sintetizar bem o objetivo do blog, vocês não acham? Gostei especialmente da metáfora das mãos diante do coração.
Muitas vezes o bordado serviu como momento para acalmar corpo e mente. Hoje em dia, tenho procurado bordar com um sentido mais profundo, em busca de autoconhecimento sobre minhas habilidades.

Acho que isto pode causar espécie para as pessoas que não possuem familiaridade com linhas e agulhas: não seria este um exemplo de elevação forçada dos benefícios de uma atividade, um exagero de quem borda de modo a tornar mais nobre seu hobbie? Não sei responder a esta pergunta por que não estou isenta. Ao contrário.

Apenas posso falar que um projeto, não importa sua relevância ou utilidade, tem o poder de me afastar preocupações, cansaços, os restos dos problemas do dia a dia, me oferece uma perspectiva de criação e realização e um vínculo com bordadeiras que, antes de mim, devem ter sentido algo parecido ou apenas tiveram momentos de prazer e contemplação diante de suas criações, o que já terá valido a pena.

Voltei a bordar – de maneira mais assídua – no meio de um turbilhão profissional e pessoal. Parece que a confusão dentro e fora de mim ganha contorno, forma, cor e nitidez através dos pontos. A vida parece mais simples, menos corrida. Um trabalho nosso admirado pelos outros pode nos devolver vestígios da auto-estima perdida, pode ser um recomeço. Ter uma atividade que seja exterior às preocupações cotidianas é um meio de aliviar as tensões, possibilitar momentos em que a mente quase se livra de todo o barulho e da sobrecarga de informações a que estamos submetidos, enfim, é criar um oásis de paz e tranqüilidade, ainda que tudo o mais continue acelerado à sua volta.

Além disso, este reencontro com o bordado e outros trabalhos, abriu para mim uma brecha numa janela que eu quero muito escancarar: o ato de escrever. Se antes eu não sabia como começar ou, quando começava, achava que tudo sempre estava uma porcaria, hoje estou tranqüila. Não sei se o que escrevo tem algum valor para você, mas tem um imenso valor para a minha capacidade de expressão, para que eu acredite que posso. Cada letra é um ponto nesta trama e, como em cada projeto desafiador, não temos como saber o resultado final. Importa apenas caminhar.

Muitos encontrarão estímulos similares na atividade física, outros na meditação, outros na leitura ou na música. Eu luto para que as pressões cotidianas não me transformem em suco. Ache o seu jeito, mas busque sua individualidade.

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