sábado, 1 de fevereiro de 2014

Linhas Escritas # Grande Sertão: Veredas




Dia desses, um casal amigo fez um desafio no Facebook: listar os 10, e somente 10, livros que mais marcaram a minha vida, contribuindo para a minha formação como leitora.

No primeiro momento, eu fiquei muito receosa. Expor listas assim nas redes sociais é sempre um desnudar-se. Ou encobrir-se, considerando que eu poderia citar o que bem quisesse, parecer mais culta do que sou, quem sabe? rsrsrs

Depois de pensar um pouco, e em consideração à amizade que tenho pela verdade, optei por fazer uma reflexão verdadeira sobre o assunto e, aos poucos, uma lista tomou forma em minha cabeça, em ordem cronológica, remontando desde as primeiras leituras até aquelas mais recentes, mas todas sobre as quais penso até hoje:

  1. Monteiro Lobato, “Reinações de Narizinho”
  2. José Mauro de Vasconcelos, “Meu Pé de Laranja Lima”
  3. Agatha Christie, Assassinato no Expresso do Oriente”
  4. Hermann Kai, “Eu, Cristiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída”
  5. Gabriel García Márquez, “Cem Anos de Solidão”
  6. Fiódor Dostoievski, “Os Irmãos Karamazov”
  7. Guimarães Rosa, “Grande Sertão: Veredas”
  8. Simone de Beauvoir, “Todos os Homens São Mortais”
  9. Sergio Buarque de Holanda, “Raízes do Brasil”
  10. Eça de Queiroz, “Os Maias”

Entre estes livros, o mais “difícil”, por assim dizer, foi Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. Falar sobre um clássico da literatura brasileira é sempre tarefa ingrata para quem, como eu, apenas sinto o poder das palavras. Não tenho formação para resenhar um clássico como este.

O livro não possui uma narrativa linear. As lembranças de Riobaldo, um jagunço, representante do sertão-mundo, narram as guerras entre jagunços, vinganças e o sentimento especial que nasce entre ele e seu amigo, também jagunço, Diadorim.

Texto de Divulgação:

“Nesta obra de Guimarães Rosa, o sertão é visto e vivido de uma maneira subjetiva e profunda, e não apenas como uma paisagem a ser descrita, ou como uma série de costumes que parecem pitorescos. Sua visão resulta de um processo de integração total entre o autor e a temática, e dessa integração a linguagem é o reflexo principal. Para contar o sertão, Guimarães Rosa utiliza-se do idioma do próprio sertão, falado por Riobaldo em sua extensa e perturbadora narrativa. Encontramos em ´Grande Sertão: Veredas´ dimensões universais da condição humana - o amor, a morte, o sofrimento, o ódio, a alegria - retratadas através das lembranças do jagunço em suas aventuras no sertão mítico, e de seu amor impossível por Diadorim.” 



Falar mais que isso é spoiler. Este livro incrível tem muito a ensinar a quem estiver disposto a desvendar seus mistérios, sua linguagem-esfinge.

Sofri demais lendo este romance, chorei e ri. Criei todas as paisagens em minha mente, imaginei Riobaldo, sua natureza crua, imaginei Diadorim, com seus traços finos e delicados, imaginei a confusão de Riobaldo, tentando entender o que se passava em seu peito sempre que olhava o amigo. Profundamente humano, deliciosamente atemporal.

Anote aí minha avaliação: leitura obrigatória. Um livro não se torna clássico à toa, né?


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