domingo, 31 de março de 2013

Linhas Escritas # Um livro que foi para o lixo e por que não vou mencionar o nome deste volume...



Eu acalento um sonho antigo, travestido em papéis e arquivos eletrônicos soltos: escrever meu livro. Não sei como ou quando, apenas sei por que. Consigo senti-lo em minhas mãos, mas não sei sobre o que versará. Consigo suportar a ideia de que ninguém venha a lê-lo, e, ao mesmo tempo, tenho delírios de grandeza: ser lida por muitos, emocionar, fazer rir ou chorar.

Talvez por este preâmbulo você imagine que tenho um respeito reverencial por livros, quaisquer sejam. Já comprei mais, hoje estou imbuída do espírito de ler o que tenho na estante. Dôo muito, para dividir o encantamento. E nunca antes, na vida, tinha jogado um livro no lixo. Nunca. Até a última terça-feira de carnaval.

Para jogar um livro no lixo, eu constatei que aquele livro não seria útil a mais ninguém. Sua mensagem não tinha qualquer valor. Ou seja, somente o papel poderia ser reaproveitado, mas a minha repulsa era tão grande que não me contive e, num gesto dramático, joguei-o – literalmente – no lixo.

Não me orgulho do gesto e não ignoro que, quem escreveu, jamais desejaria que isto ocorresse. Mas este livro, para mim, é extremamente ofensivo. Sob a bandeira do liberalismo feminino, muito se tem feito para deturpar e denegrir a imagem da mulher. E isto, independentemente da questão de gênero, é inaceitável para mim.

Antes que alguém pergunte, tampouco sou falsa moralista. Reconheço o valor e a necessidade libertária e transgressora da boa literatura erótica e nunca, jamais, confundirei esta com qualquer coisa cinza vendida atualmente. Mas a escatologia que consigo suportar tem limites precisos, demarcados.

Não, não vou dizer o nome do livro aqui no blog, em respeito à autora e para não repercuti-lo (se sua curiosidade for tão grande quanto a minha costuma ser, prometo te dizer o título via email, ok?). Para finalizar, acho que vale a pena dedicar um tempinho à escolha dos títulos, para não jogar tempo e dinheiro fora, como fiz desta feita...

Porém, desistir de ler e descobrir novos autores, nunca! Boas leituras!


domingo, 24 de março de 2013

Domingo lá em casa tem...


...acordar tarde. Café. Pão de queijo quentinho. Revista em quadrinhos. Barulho de batedeira. Cheiro de bolo. Risada. Preguiça na cama. Suco. Banana. Abraço apertado. Mais risadas. Bagunça. Briga para arrumar a bagunça. Filme. Pipoca. Máquina de costura. Bordados. Livros. Salmão assadinho no forno. Almoço na varanda. Legos, muitos legos. DVD. Outros abraços. Briga de irmãos. Mais beijinhos. Ler gibi juntinho. Desenhos. Tintas. Arte. Pizza. Suco de laranja feitinho na hora. Banho “faxina”. Conversa na varanda. Brisa. Luar. Uma taça de vinho. Talvez duas...

***

Sim, eu já havia dado a primeira garfada quando pensei em fotografar o prato... lol


Meu almoço de domingo preferido: Risoto de tomate, manjericão e limão siciliano + filé de salmão assado com alcaparras

Doure meia cebola picadinha em um fio de azeite e uma colher de manteiga. Acrescente uma xícara de arroz arbóreo e refogue um pouco. Acrescente uma xícara de vinho branco e deixe reduzir. Acrescente um punhado de tomatinhos italianos, apenas cortados na metade, no sentido do comprimento, folhas de manjericão e raspas de limão siciliano. Vá acrescentando, aos poucos, conchas de caldo de frango ou legumes, mexendo o risoto sem parar. Quando o arroz estiver al dente, junte um punhado de queijo parmesão ralado na hora e um pouco de requeijão, umas duas colheres generosas. Pronto.

Para o salmão, coloque o filé em uma assadeira untada com azeite, com a pele para baixo. Tempere com sal, pimenta do reino moída na hora, regue com um fio de azeite e leve ao forno, coberto com papel alumínio. Ao servir, derreta um pouco de manteiga, acrescente azeite e alcaparras e regue o salmão com esta mistura. Infalível!


domingo, 17 de março de 2013

Mais uma Family Tree e por que bons amigos são tesouros




Eu não sei sua opinião, mas um amigo, do sexo masculino, que, de presente de aniversário, pede algo manual e, mais, especifica exatamente o quê, na minha opinião, é um tesouro.

Se esse mesmo amigo ainda espera, pacientemente, por quase 5 meses, para receber este presente, o que você faz? Agradece a Deus a oportunidade de conviver com ele, evidentemente. De joelho. No milho. E borda, claro, a Family Tree de sua jovem família.



Na história dele, o marco foi a chegada – longamente esperada – de seu primeiro filho. Talvez por isso o bordado da árvore fosse desejado...




Na minha história, um filho que acabara de passar por uma cirurgia, horas com ele na cama, convalescendo, e a necessidade de acalmar o espírito com linhas e agulhas... O bordado é terapêutico, juro.

Cada ponto na árvore, cada pequeno progresso na recuperação do pequeno, cada hora passada na companhia dele, rezando para que aquele sofrimento passasse logo e ele voltasse a sorrir, brincar, ser ele mesmo.




A árvore foi terminada em dois dias, tempo que durou a fase mais crítica do pós-operatório. O pequeno recupera, rapidamente, sua alegria de viver e eu mantenho a minha, ancorada nessas pessoas especiais que dão mais graça à existência de todos nós.



Bom domingo!


domingo, 10 de março de 2013

Um bookmark diferente e por que é realmente verdade que na casa do ferreiro, seu espeto é de pau...




Eu tenho uma coleção de ditados que uso freqüentemente e nenhum deles é tão válido para mim mesma quanto este: “casa de ferreiro, espeto de pau”.

Coleciono marcadores de páginas e leio pra caramba, mas vivo perdendo as páginas da leitura ou usando o que tiver próximo de mim para marcar as páginas como tesouras, linhas, folhas soltas, enfim...

Jesus! Da última vez que eu praguejava com essa minha mania, meu marido disse: “Você não tem um marca-páginas????” Tenho. Vários. Lindos. Nacionais e internacionais. Mas ficam todos guardadinhos em minha caixinha especial de coleção...



Aí, pensando nesta ironia, resolvi usar um bordado que estava parado, começado numa etamine preta que, apesar de linda, é um horror de se trabalhar quando já não há luz natural. O que eu já havia bordado era exatamente do tamanho adequado para um bookmark...

Recortei a etamine e fiz um sanduíche com manta acrílica e duas camadas de tecido preto. Para decorar, um pedaço de sianinha branca. Simples assim. Particularmente, gostei muito do resultado e, em algum lugar da minha cabeça o adjetivo que vinha, recorrente, era: masculino...


sexta-feira, 1 de março de 2013

Linhas Escritas # O tempo entre costuras




Tem períodos em que “acerto a mão” na escolha de ótimos livros. Venho numa maré boa, lendo um livro excelente após outro.

Este, eu havia adquirido há tempos, motivada pelos comentários positivos sobre o romance, pelo termo “costura” no título e pelo fato de ter sido escrito por uma autora espanhola. Sim, eu vivo uma fase de descoberta dos novos best sellers espanhóis... E eles são excelentes.

Não me decepcionei. Este romance histórico é cativante, não conseguia parar de lê-lo. Portentoso, narra a vida de Sira Quiroga, uma costureirinha espanhola que, nos anos 30/40, sob o tumultuado contexto histórico da época, vê uma sucessão de fatos dramáticos mudarem radicalmente sua vida, lançando-a do momento mais idílico ao mais profundo desamparo.

O que a salva? A arte de costurar, aprendida desde criança.

Antes, eu copiava o texto de divulgação, mas, neste caso, gostaria de compartilhar com vocês um trecho do livro que me emocionou:

“E, então, aconteceu o inesperado. Nunca poderia ter imaginado que a sensação de ter de volta uma agulha nas mãos fosse tão gratificante. Aquelas colchas ásperas e aquele lençóis de tecido grosseiro nada tinham a ver com as sedas e musselinas do ateliê de dona Manuela, e os remendos de suas imperfeições distavam um mundo dos pespontos delicados que em outros tempos eu fazia para as roupas das grandes senhoras de Madri. A humilde sala de jantar de Candelaria também não se assemelhava ao ateliê de dona Manuela, nem a presença da garotinha moura e o vaivém incessante dos belicosos hóspedes tinham algo a ver com minhas antigas companheiras de labuta e o requinte de nossas clientes. Mas o movimento do punho era o mesmo, e a agulha voltava a correr veloz diante dos meus olhos, e meus dedos se empenhavam em dar a pontada perfeita, como durante anos eu havia feito, dia a dia, em outro local e com outros destinos. A satisfação de costurar de novo foi tão grande que durante duas horas me devolveu a tempos mais felizes e conseguiu dissolver temporariamente o peso de chumbo de minhas próprias misérias. Era como estar de volta a casa.” (p. 79)

O livro, já amplamente comentado em blogs de leitura e também de crafts, vale cada centavo e, mais, proporcionará momentos de leitura emocionantes, aprofundará seu conhecimento sobre os fatos de um período negro da história europeia e mundial e, de quebra, ainda apresentará uma heroína, para dizer o mínimo, interessante.

Anote aí minha avaliação: imperdível!


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