quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Linhas Escritas # Mães e Filhos




Nem me lembro mais onde vi a sugestão do livro Mães e Filhos, do autor irlandês Colm Tóibin. Apenas recordo que me chamou atenção o autor, por meio de contos, tratar desta relação, nem sempre fácil.

Terminei de lê-lo recentemente. Minha recomendação, dessa vez, é de um entusiasmo preocupado. Explico. O livro é um soco no estômago. Os contos são duros, desapaixonados, não têm açúcar, avental sujo de ovo, nem amor.

Nada do amor materno dos comerciais de margarina e leite em pó. Só a realidade seca das relações, dos seus descaminhos, do que às vezes escondemos debaixo do tapete por não combinar com o tal amor “incondicional” esperado haver entre mães e filhos.

O que dizer sobre a relação entre a mãe e o filho padre acusado de abuso sexual? O que vive o filho da mãe alcoólatra? E mãe que abandona o filho para seguir sua carreira musical?

Texto da divulgação: “As histórias de Tóibín indicam que a relação entre mães e filhos é feita não apenas de compreensão, mas também de equívocos - algumas vezes insanáveis. Diferenças de geração, conflitos religiosos, sexualidade libertária e contrastes culturais são os temas dessas narrativas, algumas das quais foram publicadas originalmente em coletâneas, jornais e periódicos como The Guardian, London Review of Books e The Faber Book of Best New Irish Short Stories.”

A mim, mãe aspirante ao tal “amor incondicional”, doeu e incomodou. Mas eu não sucumbi à desesperança do livro. Ou talvez a desesperança seja minha, nossa. Num mundo em que os filhos tornaram-se o centro de nossas existências (não, nem sempre foi assim), a literatura exerceu, com maestria, seu papel: nos desalojar do conforto de nós mesmos.

Assim, anote aí minha avaliação sobre a leitura desse volume ligeiro: instigante.


3 comentários:

Valma disse...

it seems to be a terrible book :-/
when you have kids it must be even more terrible...
xxx

Isabella Morais disse...

Não sei se conseguiria ler um livro assim, aliás, não consigo compreender como uma criatura pode deixar para trás ou fazer algum tipo de mal a outra que saiu de seu ventre. Lógico que nunca passei por uma situação difícil na minha vida a ponto de ter que escolher alguma coisa difícil mas a priori não conseguiria não deixar de colocar sempre emus filhos em primeiro lugar.

Deve ser horrível fazer isso durante toda a vida e depois levar um pé na bunda deles não?!?

Enfim, acredito que deva ser uma boa leitura para abrir os olhos de muita gente.

Beijos.

♥ Nia disse...

Já vi que não é livro para mim :p
Mas gostei de ler o teu post pois diverti-me com as expressões! :) "avental sujo de ovo"? eheheh "Nada do amor materno dos comerciais de margarina e leite em pó"? LOL Entendo o ponto de vista mas de qualquer modo soa engraçado :p
Estás a precisar de ler um bom romance a seguir, muito mel para compensar a secura deste ;) eheheheh
bjbjbj

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