quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O negativo das coisas




Normalmente eu começo um projeto com um fim específico, uma ideia formada desde o princípio. Mas isto não aconteceu neste caso. Falar sobre e bordar o negativo de algo estava recorrente neste período de afastamento dos bordados (sim, eu não consegui fazer praticamente nada neste janeiro...).

Primeiro, encontrei recentemente uma caixa com alguns negativos de fotos. Acho bonito, interessante, vintage e, por isso, os guardo.




Depois, a tônica deste começo de ano, por diversas vezes, tem sido a vida virando do avesso, experenciar o negativo do conhecido: meus pais virão morar na capital, para estarmos mais próximos, depois de uma vida inteira na pequena cidade onde nasci.

Essa experiência é radical em qualquer idade, imagine para a minha mãe, que nunca morou em outro lugar. Considere como será adaptar-se a uma cidade grande, caótica como Fortaleza, cheia de possibilidades e, ao mesmo tempo, tão assustadora... Sei não... Quando fiz essa transição tinha 15 anos e tentava abocanhar o mundo com os dentes. Com eles é diferente. Têm se agarrado a pequenos fiapos da vida anterior para dar esse salto no vazio, aos sessenta, setenta e tantos...




Por último, aconteceram duas coisas inusitadas: eu encontrei uma étamine preta no armarinho do meu pai e trouxe um pedaço, porém sem objetivo definido; comprei, depois, uma revista com gráficos lindos para blackwork, coisa que nunca experimentei. E estas duas coisas estavam ligadas, eu acho (sim, eu não acredito em coincidências).

Por que não bordar o negativo do blackwork? Funcionaria? A ideia foi e voltou, me assaltou no banho, depois quando acordei de madrugada sem ver nem pra quê. Dormitou e dormitou, eu sem coragem de começar, ainda no mês sabático do bordado...

Por fim comecei, mas como a virada na vida dos meus pais, ainda não sei o que será, não sei o que fazer. Um jogo americano, bem moderno? Um detalhe para o meu projeto da agenda com galões? Um bookmark?




Avanço devagar, cautelosa, por não ter objetivo claro. O gráfico lembra arabescos marroquinos, ou o assento das cadeiras de palhinha da minha infância, mas isto são apenas reminiscências. Parece que o período sabático acabou e os trabalhos manuais me ajudarão, mais uma vez, a atravessar o desconhecido.

E então? Habilita-se a me ajudar? O que eu devo fazer com este bordado?


7 comentários:

Sâmia disse...

Amiga, desejo muita sorte e felicidades para seus pais nessa mudanca. Posso imaginar como eles devem estar apreensivos, pois fico pensando se fossem os meus pais, já que tem idades parecidas e moram na msm cidadezinha onde eu nasci até hj.

Adorei a etamine preta, nunca encontrei por aqui para comprar. Já fiz um bordadinho com esse ponto e adorei, fica bem estiloso e moderno.

Eu tbm sempre tenho em mente o que fazer com determinado bordado antes msm de dar início ao trablho, acho que assim fico mais impolgada. Nesse caso, acho que ficaria bastante charmoso e moderno aplicar num jogo americano ou num paninho de bandeja.

Mas qualquer que seja su escolha, tenho certeza de que ficará encantador o resultado final!!!

Bjim amiga!!!

Gislene Ellery disse...

Realmente lembra muito a trama das cadeiras de palhinha... Muito lindo! Almofadas ficariam bem também....
:-)

Isabella Morais disse...

Realmente parece aquelas cadeiras de palha né?! Está ficando muito lindo!

Eu já bordei em etamine preto e não gostei...eu não consigo ver os buracos.

NOssa, que grande mudança seus pais vão ter na vida hein?!? Imagino o quanto é difícil se desprender de uma vida que tiveram durante muito tempo num determinado lugar. Desejo aos seus pais muito sorte! Que eles sejam muito felizes na capital :)

Eu acho que ficaria lindo em várias coisas...num quadro, almofada, capa de caderno..etc.

Beijos mil!

Joanita disse...

Simone, desejo que a mudança dos teus pais corra bem. Pode ser que se adaptem melhor do que imaginas ;) (notou-se bem como estás reticente...)

Quero ver a evolução desse trabalho! ;)

Kiss

Jud disse...

Adorei a Alice e tudo o mais que vi por aqui querida, já estou seguindo.
beijos,
jud-artes.

♥ Nia disse...

As mudanças boasnão têm idade ;) heheheh Claro que mudar de cidade assim, na fase da vida em que os teus pais estão, há-de ser uma mudança radical sim.. mas tu estarás por perto :) Só isso com certeza tornará tudo mais fácil! Se calhar foi mais dificil para eles quando tu mudaste e eles não podiam estar perto de ti, já imaginaste esse lado da tua mudança também? heheheeh

Nunca bordei em tecido preto, é uma coisa que tenho curiosidade de experimentar qualquer dia!
Hum.. não sei dar ideias assim.. sou mais o género de pessoa que borda e só no fim vê o que 'sente', aquilo que a peça "combina com"! ;) heheeh
Mas fica muito bonito o branco bordado no preto, gostei :)

Rita disse...

Imagino que não vá ser uma mudança fácil para os teus pais, mas vais ver que vai correr até melhor do que o esperado e eles vão acabar por gostar mto. E depois tem a coisa fantastica de estarem perto de ti;)

Confesso que ainda n percebi bem o que é blackwork...é vergonhoso, mas ainda n fui procurar mto sobre o assunto..n sei se tem a ver só com cores(bordar só a preto) ou se tb tem a ver com o tipo de bordado. Tenho de investigar.

Tb é mto bom começar assim um projecto..meio sem saber como vai acabar..ás vezes são os q resultam melhor.

E olha por aqui janeiro tb foi um mês mto sabático de bordados..ando sem tempo p nada! E esta-me a parecer que fevereiro vai pelo mm caminho;(

beijinhis

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