terça-feira, 15 de novembro de 2011

Linhas Escritas # Na natureza selvagem



Houve um tempo em que fomos muito jovens e, com isso, quero lembrar aquele tempo em que nos bastávamos e os adultos só rimavam com castração e chatice.

 

Naquela época, um dia ouvi do meu pai que, enquanto eu vivesse sob o seu teto e comesse do seu feijão, tinha que me sujeitar às suas regras. Achei aquilo a expressão máxima da tirania! Tão injusto!

 

Anos depois, me peguei dizendo coisa semelhante aos meus filhos e executando com perfeição o papel de castrar e impor limites... Chorei muito nesse dia por que percebi que eu mudara de estatuto: dali em diante seria avaliada de outra forma... O olhar dos meus filhos parecia gritar: "É tão injusto! Nós somos tão jovens!"

 

Quando li esse pequeno livro do Sr. Krakauer, chorei novamente. O livro conta a história real do jovem Chris McCandless que abandona a família, amigos, estudos e uma vida comum para viver a aventura de bastar-se a si mesmo, embrenhando-se na natureza selvagem do Alaska.

 

Vivendo à margem, somente contando com seus próprios (e parcos) recursos, Chris encarna a nossa arrogância, nossa soberba de ser ilha, levando ao extremo (e à tragédia) a busca de todo jovem por sua individualidade, sua autonomia.

 

O livro é lindo, amargo, envolvente, cruel. Se você encontrasse Chris na rua teria ganas de dar-lhe um tapa no rosto e perguntar: "Por quê??" Mas ele também não sabia, e só encontrou o que procurava quando não lhe restavam mais forças para lutar.



O livro virou um deslumbrante filme dirigido por Sean Penn que conseguiu a proeza de melhor representar em imagens o drama que eu já havia lido. Anote aí minha recomendação tanto para o livro como para o filme: super-hiper-mega-high-power-blaster-uber-recomendadíssimo.



4 comentários:

Gislene Ellery disse...

Conheci essa historia através de você e fiquei fã! Tanto o livro como o filme sao maravilhosos!
Muito boa dica! :-)

Eri disse...

Vou atrás. Também já ouvi essa história de "papi" e sempre dói, tanto quando são eles que dizem, como quando somos nós que dizemos ou percebemos sermos eles. Beijos.

Isabella Morais disse...

Eu adorei!

Espero conseguir ver ao menos o filme.

Beijos mil!

Isa.

A Casca da Cigarra disse...

é o filme que eu e minha filha do meio mais amamamos no mundo!! Dei o DVD para ela de Natal e ela me deu a trilha (que é maravilhosa) de dia das mães!Li o "A Desobediência Civil" do
Henry David Thoreau, que é o livro que o Chris carrega para todo lado, Mas ainda não li "Na natureza selvagem"...tá na hora ! Obrigada por lembrar!!

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