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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Presentes: tão longe e tão perto




O primeiro envelope que recebi este ano veio da minha querida Nia, uma pessoa cheia de energia e criatividade: raminhos delicados de azevinho em feltro, com pequenas perolazinhas... Ah, Nia, quantos beijinhos foram trocados por conta deste presentinho... lol


Olha que coisa charmosa, esse selo.




Em outro pacote, retalhinhos da Aninha, do Atelier Caseiro, para ajudar a compor minha colcha de hexágonos: rostos de delicadas matrioskas, gatinhos preguiçosos, flocos de neve dourados, jacarés engraçados... Ah, Aninha, os olhinhos brilhantes da minha mãe, apreciando cada pedacinho de pano e eu me vendo neles? Não tem preço... Obrigada de novo, amiga!





Acompanhando uma bem-vinda garrafa de vinho tinto, uma pequena revolução da Gislene: panos de copa bordados em vagonite, mas do jeito mais moderno que eu já vi! Ah, Gis, tantos planos para o novo ano são mais bem elaborados com uma taça de vinho nas mãos... Saúde! Muitos anos mais de convivência para nós duas!






Outro envelope, vindo de terras encantadas do Pará, encheu meus olhos e despertou uma vontade há muito enterrada: pintar tecidos. A Isa, minha amiga artista (uma das artesãs mais completas que conheço!) me enviou uma de suas pinturas e eu fiquei babando... Ah, Isa, como foi bom ouvir sua voz e reacender a crença de que eu poderei, um dia quem sabe, pintar como você... Obrigada por todos os momentos preciosos de 2011!


Vejam os detalhes dos corações em patch apliqué. Lindo!




A Nathália talvez seja uma das pessoas que mais me conhece além de mim mesma... Aí fica fácil agradar meu coração, né? Óbvio que seria mesmo difícil me presentear depois deste regalo, porém a Nathália teve a gentileza de escolher a nova obra de um autor de quem falei dias a fio. Ah, Nathália, a delicadeza da nossa amizade, quer você lembre de todos os detalhes ou os tenha esquecido, é pra guardar no lado esquerdo do peito.

Por fim, a todos que de vez em quando (ou freqüentemente) visitam o blog e, quando são tocados por algo, deixam, gentilmente, um comentário, meu muito obrigada. Cada comentário é um sorriso brotando nos lábios e um calorzinho gostoso no coração!


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Capas de Garrafão: a missão

Parece que aconteceu há milênios, mas esse blog começou por causa de algumas capas para garrafão de água. A água engarrafada é muito usada, sobretudo no Nordeste do Brasil e, para não deixar de aproveitar aquele espacinho da cozinha, a criatividade ajudou a criar estes invólucros de tecido que são um convite aos bordados.

Pois bem. Eu fui duramente criticada pelo fato de escrever uma dissertação sobre a água que bebemos, sob a ótica da sustentabilidade deste recurso, e, ao mesmo tempo, fazer uma suposta apologia à água engarrafada por meio das famigeradas capas. =)

Bom, não ligo mesmo para as críticas e o negócio deste blog são idéias bordáveis, não?!

Assim, recebi uma encomenda da minha irmã, que queria uma capa de garrafão para a loja da sua sogra, a Boutique Charme, que fica no interior do Amazonas, na cidade de Tefé. Comichão! Por que não bordar a logo da loja?
Logo da loja ampliado.
Store's logo.
Feita em tempo recorde (uma manhã), a capa foi cortada na etamine branca que recebeu o risco da logo, bordada em tons de lilás. 


A silhueta foi preenchida em vagonite e contornada com ponto atrás, também usado nas letras. 


Ponto atrás.
Back stitch.
E voilà!


****

Covers of bottle of water: the mission



Seems what happened many years ago, but this blog was started because of some covers for big bottle of water. Bottled water is usually used, especially in the Northeast of Brazil, and we can take advantage of that small space in kitchen to use our creativity and create different embroideries.

I was harshly criticized by the fact of writing a master degree paper about the drink water,  from the perspective of sustainability of this resource and, at the same time, making an apology of bottled water through the ugly cover. =)

Well, I really don’t care for the criticism and the business of this blog are ‘embroiderable’ ideas (to possible to embroider ideas), isn’t it?

So, I received a ‘mission’ from my sister, who wanted a cover to bottle water to the store of her mother in lawCharme Boutique, located in the countryside of Amazonas State, in the town of Tefe. Yes! Why not embroider the store's logo?

It done in record time (one morning), the cover was cut from the white aida which received the design of logo, embroidered in shades of lilac. The silhouette was filled in vagonite stitch and I also used back stitch.


domingo, 14 de novembro de 2010

Conclusões e Um Livro Especial


Olá, bom domingo a todos!

Já falamos, em outra oportunidade, sobre "fechar Gestalts" e como isso é sempre bom. Mas hoje preciso dizer que estou, ao mesmo tempo, feliz e triste com estes términos.

Adorei concluir o Piu-Piu que já viajou para Minas, para o Love Quilts Brasil. Escolhi uma fonte bem divertida para bordar as palavras e acho que combinou bem.

Um Piu-Piu para alegrar o Lucas.
The Tweety, to brighten Lucas.

Mas, por outro lado, estou triste com o final da minha leitura do livro A Guerra dos Tronos, Crônicas de Gelo e Fogo. Estou lendo bem devagarzinho, por que o livro dois só será lançado em 2011! Tenho problema com séries, acho que já deu prá notar... lol

Nunca falta um livro na minha mesinha de cabeceira.
Never miss a book on my bedside table.

Esta é uma saga memorável, daquelas de tirar o fôlego da primeira à última página e, o que é mais legal, é que os capítulos são narrados, cada um, por um personagem diferente. A história vai se desenrolando sob o ponto de vista dos diferentes personagens, é muito interessante! Tem um toquezinho sobrenatural que realmente me conquistou, recomendo fortemente.

Mas vejam! Estou na página 480! Tá quase acabando... :-(

Costas do meu bookmark em tecido...
Back of my bookmark...
Frente do bookmark, realizado com linha matizada e vagonite.
Front of my bookmark, with tinted line.

E vocês? O que têm lido? Cartas para a redação do blog, por favor.

****
Hello, good Sunday to everyone!


We have spoken on another occasion, on "closing Gestalts" and how it is always good. But today I must say I'm happy and sad, at the same time, because some finishes.
I loved to finish the Tweety, it has traveled to Minas Gerais, for Love Quilts BrazilI chose a fun font to embroider the words and I think it well combined.

But on the other hand, I am sad by the end of my reading the book A Game of Thrones, Chronicles of Ice and Fire. I'm reading very slowly, because the book two only will be released in 2011! I have problem with series, you know... lol
This is a remarkable saga, those breathtaking from first page to last, and what's cooler is that the chapters are told each by a different character. The story is telling from the point of view of different characters and it is very interesting! There is a supernatural touch that really won me over, I strongly recommend.

But look! I'm on page 480! It's almost done ... :-(
And you? What have you read? Letters to blog, please.





domingo, 10 de outubro de 2010

Será mesmo o fim da série Bookmarks?


Final de semana trasado, concluí os dois projetos especiais da Série Bookmarks: o “A” roto e o “Little Miss Venezuela”.

O bordado do “miss” sobre a base de vagonite azul acabou por repuxar um pouco a étamine, o que dificultou a execução da parte de trás. As palavras foram bordadas em ponto haste (“miss”) e ponto atrás (“little e Venezuela”).
Detalhe de como o "M" em ponto haste repuxou a etamine. 
Apesar da queixa do meu irmão de que o “Little Miss Venezuela” ficaria mais bonito que o dele, confesso que acabei por gostar mais do resultado final do “A”, bordado com as linhas em tons escuros, com pequenas traças bordadas em ponto cheio, em linha marrom. Gostei especialmente da parte de trás do bookmark, com o aproveitamento de aparas de uma calça jeans escuro que comprei grande demais. Achei que ficou bem casado com o aspecto meio destróier da parte frontal.
A foto acabou ficando meio sépia, por causa da luz...
Esta semana os bookmarks viajaram para São Paulo e, em seguida, seguem para Caracas. Espero que, passada a tensão relativa à eleição venezuelana, a Flavia possa ler um bom livro e usar seu presente.

Ocorre que pensando nesta questão utilitária – eu ainda estou muito fixada nesta coisa da utilidade – me dei conta que, após distribuir tantos marca páginas, eu estava marcando as páginas da minha leitura da Guerra dos Tronos (um portentoso volume de quase seiscentas páginas) com um pedacinho de papel qualquer... “Casa de ferreiro, espeto de pau”, dizia minha mãe, dona de mercearia, cada vez que algum item faltava para o preparo do almoço ou jantar na nossa casa da infância.

Assim, meio envergonhada, comecei a pesquisar um tema para o meu próprio bookmark. De pronto, imaginei uma girafa. Adoro girafas e todo mundo que me conhece sabe o quanto elas me emocionam. Separei outros motivos, mas, curiosamente, passei ao largo do meu monograma. Já tinha separado, para bordar no futuro, bichinhos muitos engraçados, decorados com xadrezes ou estampas, o que os diferenciava do mero tema infantil e conferia um ar meio kitsch.

Escolhi uma ovelha xadrez e, ao seu lado, bordei alguns “Z” para remeter ao fato de que, de tão cansada, acabo lendo menos do que gostaria: sou vencida pelo sono. A ovelhinha acabou sendo uma piada sobre mim mesma, o que adoro. O resultado ficou bem legal e comecei a bordar outra, estampada com bolinhas. Só para poder escolher.
Essas ovelhas são bem oníricas, não?
Nem sei de qual gostei mais...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Bookmarks Revolution


Novo projeto do bookmark do meu irmão, depois do fracasso com o ponto cruz

Projeto do bookmark para a Little Miss Venezuela
Adoro cinema/literatura e adoro séries. Combinação explosiva, essa. Tudo que vem a partir de três – exceção feita aos vampirinhos atuais, para os quais já tive minha cota há tempos – me causa cosquinhas no nariz, um sinônimo para a tal “comichão cerebral” já comentada em outro post (clique aqui).


Assim, quando meu irmão me desafiou na confecção do seu bookmark (veja um título de péssimo gosto aqui) eu achei que ficaríamos naquilo. Em seguida, após o post publicado e de saber que ele viajaria para os recônditos da América de Sul para encontrar a Flávia, não titubiei: “Você leva o bookmark dela?” “Claro, você já fez?” “Não... – cosquinha no nariz – Por quê?” “Por que você não faz com os dizeres “Little Miss Venezuela”?”

Gênio! Sabe, uma das coisas que me empolga nos trabalhos manuais é saber que pode contentar das nossas tias e avós aos designers do momento! Tal qual a culinária, de repente chega um maluco que, com os mesmos ingredientes detonados diariamente pela minha secretária, faz uma tal comida molecular – ou coisa que o valha – e nos deixa com aquela sensação de “uau!”. É a mesma coisa e não é. A base é a mesma, mas o resultado é totalmente diferente.

Estou meio posh com os projetos em andamento, é fato. Estou achando que peguei um ponto básico – o vagonite – e estou criando algo um pouco diferente do habitual. No bookmark do meu irmão, usei uma gama de cores meio dark (preto, roxo, verde escuro, bege, chumbo e prata) e deixei, de propósito, sem acabamento, para criar a tal sensação de roto. Vou bordar uns besourinhos para simular as traças, que teriam roído o “A”, inicial do nome dele.

O "A" já riscado na etamine pro bookmark do meu irmão
Com a base já preenchida. Adorei a combinação de cores!
No bookmark da Flavia, usei como base a bandeira da Venezuela, com suas cores e estrelas que circulam a palavra “Miss” em letra cursiva, que pretendo bordar em branco ou pink, com preenchimento em ponto haste. As demais palavras pretendo bordar em ponto atrás ou haste, em uma cor contrastante.
Início do trabalho no bookmark da Flavia, com as cores da bandeira da Venezuela
Base já preenchida. Os dizeres, em carbono amarelo, estão quase imperceptíveis...
O título deste post remete ao último filme da Trilogia Matrix que, vez por outra assisto, só para matar a saudade, assim como Senhor dos Anéis e, mais recentemente, a Trilogia Millenium. No final da semana passada fui fisgada por uma série mais uma vez: As Crônicas de Gelo e Fogo, cujo livro 1 – A Guerra dos Tronos – acaba de ser lançado. Baixei o primeiro capítulo na internet e não resisti: terei muitos momentos de ansiedade aguardando as seis continuações previstas pelo autor...

sábado, 11 de setembro de 2010

Além da queda...

Fronha com vagonite em linha matizada

Detalhe dos contornos em ponto cadeia e ponto atrás.
Não que seja um fato que cause estranheza, mas minha mãe é motoqueira. Ou
melhor, usa uma Honda Biz lilás para se locomover. O que é praticamente uma
regra nas cidades do interior do país.

Ontem ela se tornou motoqueira por que sofreu uma queda das boas. Guardará
os "troféus" dessa experiência e, quando perguntada, afirma que escapou por
pouco, que o acidente foi feio, mas que a moto pouco sofreu. Como todo
motoqueiro que se preze, o veículo aparece antes na avaliação dos danos...
Mudou de estatuto, realmente.

Não é a primeira vez que a minha mãe aparece no blog. Em outra oportunidade,
escrevi sobre a relação entre o trabalho manual que executamos juntas quando
ela fez uma delicada cirurgia para a retirada de um tumor no pescoço, coisa
superada. O bordado em vagonite com uma linha matizada foi concluído e eu
montei, há muitos dias, duas fronhas com ele, porém, por algum motivo que
não consigo precisar, não o fotografei para o blog.

Após a notícia do acidente e de constatar que ela está bem, pareceu-me mais
que oportuno mostrar o trabalho concluído. É como uma prestação de contas.
Só para garantir. 

domingo, 4 de julho de 2010

Como um dia de domingo...




Quase desisti do último post... Meu marido, que leu antes de eu publicá-lo, estranhou: “tá ruim assim?”. Tá passando. Hoje, domingo, os meninos melhores, reagindo às medicações, uma vontade de fazer alguma coisa, um dia inteiro para fazer o que der na telha... Decidi publicá-lo por que resolvi escrever e isso significa uma espécie de desnudamento.
Pela manhã, concluí o tema dos capotes. Preenchi as partes maiores com o vagonite. Os coraçõezinhos do corpo fiz em ponto cheio, com contorno em ponto atrás, para destacar. Os contornos das cristas fiz em ponto palestrina. Na cabeça, ponto cadeia e no resto do corpo, ponto haste. Abaixo das aves, um jardinzinho bem delicado, para testar alguns pontos que há muito eu queria fazer.
Na seqüência, as pimentas chilli da D. Ana, que a minha irmã propôs em vermelho, laranja, amarelo e verde. Pensei em desenhá-las por toda a capa, como se estivessem caindo. Como o motivo é pequeno, não cabe centralizá-lo ou enquadrá-lo. Estou propensa, no entanto, a testar o bordado em fita, que nunca fiz antes o que parece que acontecerá antes da capa das pimentas.
Durante o resto do dia, me dediquei à produção dos panos de prato coloridos. Estou experimentando sem os bordados em vagonite, por não tê-los prontos, apenas aplicando tecidos, bordado inglês, viés ou fitas “gregas”. Fazer o preço de venda ainda é um problema...
Como vêem, um domingo produtivo. Ainda arranjei tempo para uma corridinha no parque e para experimentar mais uma receita do La Cucinetta (http://www.lacucinetta.com.br/), o Bolo Simples de Limão, que ficou bem delicado, algo como um pão de ló. Não tivemos a paciência de esperar as horas recomendadas pela Ana Elisa, comemos ainda morno e o xarope de limão, da cobertura, grudou um pouco no dente... Um preço pequeno a pagar pela impaciência. Rsrsrsrsr

sábado, 19 de junho de 2010

A mulher mais realizada da face da Terra



Hoje de manhãzinha nasceu meu sobrinho mais novinho, o Dudu. Minha cunhada tornou-se, imediatamente, a mulher mais realizada da face da Terra. Eu olhava prá ela e ficava lembrando daquela sensação, que já vivi duas vezes. Perto de nós, meu bordado sobre o fundo do mar, faltando apenas a última estrela e as bolhinhas. Hospitais e bordados estão virando uma dupla, ao que parece.
Enquanto ela contrariava todas as recomendações médicas e falava sem parar, aturdida com a novidade de ser mãe e ansiosa pela chegada do Dudu no apartamento, eu puxei o bordado e comecei a estrela, preechendo-a com uma linha matizada vermelha, do centro para as bordas. Escolhi para a parte externa um ponto chamado “nó dinamarquês”, em vermelho cereja, para dar aquela textura meio “cascarenta” da estrela do mar.
Quando o Dudu chegou e nós admirávamos suas primeiras tentativas de mamar me ocorreu que aquele bordado, coincidentemente, tinha tudo a ver com o momento. Dudu deixara a água e lutava para se adaptar a este mundo novo, com a necessidade de respirar, descobrindo a capacidade de chorar e buscando, com sofreguidão, o seio que se oferecia. Era quase um peixinho que mudara de estatuto, deixando de ser hipótese e sonho, tornando-se real para minha cunhada e seu marido.
Ela também estava mudando de estatuto, enquanto o mar que carregou dentro de si por nove meses foi esvaziado. Deixava de ser filha, tia, professora, cunhada, amiga, fisioterapeuta e, durante um tempo que ninguém consegue precisar, será apenas mãe do Dudu. Ou “mãezinha”, como insistem em chamar as enfermeiras e auxiliares, o que me embrulha o estômago até hoje...
Quem se preocupa com a devassidão do corpo de uma mãe que amamenta? Um corpo que é vasculhado, perscrutado, mexido, estimulado para a produção de leite, um corpo que antes era apenas oceano passa a ser olhado como um grande e potencialmente nutritivo celeiro, capaz de amamentar o pequeno Dudu e, com sorte, ajudar outras crianças para quem o leite materno faltou...
“Tá saindo o colostro? Ele tá conseguindo?” ela perguntava.
Ah, a ansiedade das mães... não é uma circunstância, como pensam os céticos, é uma condição, parte indissociável deste novo estatuto. Tá incluído no pacote, eu concluía, fazendo os nós que alguma mãe bordadeira dinamarquesa inventou quase que por acaso. Num momento “mergulhe no seu próprio mar de emoções”, fiquei remexendo no meu baú de reminiscências e a primeira infância dos meninos passou diante dos meus olhos em mini flash backs, um pontinho de cada vez: a chegada em casa, os primeiros dias, os medos, as pequenas descobertas, os sorrisinhos, as primeiras palavras, o primeiro dia da escola, as velas sopradas e os brinquedos e as pessoas que foram ficando pelo caminho.
Meus dois bordados estão em andamento. São coloridos, multifacetados, matizados, felizes. A trama do Dudu começa a ser tecida hoje, um pontinho de cada vez.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Reflexões do Feriado





Depois de algumas noites sem dormir que potencializaram os efeitos da TPM sobre mim (Rafa e Gui doentes), ontem morguei durante o feriado de Corpus Christie. Sim, havia toneladas de coisas para estudar e ler, mas a cabeça latejava como nunca e a disposição era inversamente proporcional à dor e ao mau humor...

Nesses momentos, gostaria de ter uma casca bem grossa que pudesse me esconder. Não sou canceriana à toa... E não é à toa que o caranguejo representa meu signo. A casca/casa do caranguejo é sua proteção e seu fardo. Eu ontem queria ter, além da minha casa, uma casca bem dura e ficar dentro dela esperando este período passar...

O bordado com os girassóis da Jô fez o papel da casca imaginária. Me acomodei com linhas e tesoura na varanda, após o café, e comecei a dar forma às flores e folhas. Confesso que não gosto muito de girassóis – são flores interessantes, mas algo óbvias e chamativas demais – mas ontem o amarelo das pétalas me pareceu tão animador... À minha volta, os meninos brincavam e brigavam com os legos. Paramos só para almoçar.

À tarde, estava com uma vontade danada de ter meu momento “bolo com café”, mas a cabeça continuava apertada, pesada. Como dizemos por aqui, eu estava “para correr”! E foi o que fiz. Resolvi que poderia ser interessante fazer a passagem ao ato: calcei os tênis e fui correr no parque, no final da tarde. (Tks God pelo meu ascendente, que me impulsiona para fora de todas as cascas...).

De algum modo, o bem estar da corrida/caminhada e o aumento do fluxo sanguíneo fizeram bem para mim e, na volta, consegui fazer o bolo de maçãs com amêndoas que copiei do La Cucinetta (http://www.lacucinetta.com.br/). Eu adoro este bolo. Ele é aromático, reúne a combinação mais perfeita já criada (maçã e canela) e ainda tem o crocante das amêndoas... Não é muito doce e deve ser comido ainda quente, com uma boa xícara de café ou chá. Como é pequeno, não sobra para ficar velho, o que também é bom... Nada como um pedaço reconfortante de bolo com café, num final de tarde, para lembrar que as TPMs são transitórias e que a vida é mais.

Por sinal, já que falei no La Cucinetta, preciso dizer o quanto gosto deste blog e como fico esperando pelos posts da Ana. É um blog que fala mais do que sobre comida, fala sobre um jeito de viver que tento adotar para mim, no meu caso por meio dos trabalhos manuais. Dei de cara com ele por acaso, procurando uma receita de, adivinham!?, torta de maçã! Comecei a ler o post que trazia a receita de bolo que comentei e não consegui mais parar. Acho que já li o blog todo e sempre passo para ver as novidades. Já fiz algumas receitas, todas maravilhosas. A Ana, como eu, tem procurado o caminho do meio, o que nos permite, inclusive, apreciar o prazer de um bom pedaço de bolo, antes proibido para mim por causa da minha saga ortomolecular...

Hoje, deixei de querer ser apenas magra: quero ser saudável, o que inclui pequenos poderes (prazeres) ocasionais para fazer bem à cabeça e ao coração...

Capas para Garrafão: A Série




Depois de comprar metros e metros da Java de vagonite (branca e bege) e de ver uma linda capa minha manchada de vermelho (obrigada, Antonia...), resolvi fazer novas capas e, além de utilizar, presentear minhas amigas que usam garrafão. Queria também bordar um pedaço de um galho de cerejeira que vi numa revista e me pareceu extremamente desafiador. A idéia é usar vagonite de preenchimento e pontos livres no contorno e nos detalhes.

Depois de testar o corte e a costura com a capa “boudoir”, cortei novamente o tecido branco, por que achei que as cores se sobressairiam melhor. Fiz todo o preenchimento das flores, em seguida os contornos usando ponto haste, ponto atrás e ainda tentei o ponto palestrina, mas demorava demais e acabei perdendo a paciência. Os pistilos das flores foram feitos em ponto rococó. A borboleta azul foi executada em ponto atrás e ponto caseado, com um dos tons de azul mais bonitos com que já bordei (anchor, 433).

A seqüência de projetos é a seguinte: no momento, os girassóis da Jô. Já riscados, os peixes da minha irmã e, por fim, os capotes (galinhas d´angola) da Nathália, que ainda vou pesquisar. Não me recordo de ter qualquer risco destes pássaros, mas esta é a vantagem da técnica que estou utilizando. O risco pode vir mesmo de uma foto, sem a necessidade de uma receita específica, como no caso do ponto cruz.

Recuperar-se


Numa terça-feira passada, minha mãe fez uma delicada cirurgia no pescoço, para a retirada de um tumor. Era um momento tenso para ela e para todos nós, obviamente. Na manhã da entrada no hospital, a primeira coisa que coloquei na minha bolsa foi uma sacolinha com o projeto que estava em andamento: a fronha bege, com vagonite matizado. Antes, eu havia desistido, por influência dela, de fazer a fronha toda no tecido de vagonite, muito áspero para este fim. Cortei a parte onde seria feito o bordado para, depois, aplicá-lo num tecido mais suave.

As cores vibrantes que escolhi (pink, azul e laranja) deram mais vida ao insosso tecido bege, mas confesso que fiquei pensando que deveria ter comprado o tecido branco...

No hospital, enquanto aguardávamos o momento da cirurgia, cada um lidava com o stress ao seu modo. Eu sentei no chão e puxei o bordado. Enquanto esperávamos o fim da cirurgia e meu pai entrava e saía do quarto, continuei sentada tentando me apaziguar e lidar com a angústia. Ter algo nas mãos, conduzir a linha e a agulha pelo tecido tem um certo efeito hipnótico que me impede de - dramática como sou - iniciar uma cena de novela mexicana.

Foi assim que os médicos me encontraram, quando vieram dar o resultado do procedimento. Mais tarde, quando ela voltou pro quarto e nós fomos pra casa, ainda encontrei força para mais alguns pontinhos.

Na manhã seguinte, apesar dos apelos do meu pai para que eu não desse “agulha” para ela após a cirurgia – na ótica dele não é bom para a recuperação (?) – ela pediu que eu deixasse o bordado, para ter como se ocupar até o momento da alta. E o bordado está quase pronto, pelas mãos da minha mãe que ainda se arvorou em dizer que eu fazia um péssimo acabamento e que tinha consertado várias carreiras de pontos! Sorri e apenas disse que ainda estava aprendendo.

De fato, minha história com o bordado talvez tenha começado com ela. Apesar de sempre tê-la visto sair para trabalhar, na calçada de nossa casa no interior, à tardinha, ela invariavelmente tem um trabalho na mão. Nos aproximamos no gosto por descobrir técnicas novas e por trabalhos rápidos de fazer. Agora, num momento tão tenso, pudemos compartilhar um trabalho que, quando pronto, será uma recordação desta superação.

De fato, ainda estou aprendendo... Inúmeras coisas, até mesmo a contar isto para você. Talvez não seja tão simples exprimir com palavras para quem nunca bordou ou fez qualquer trabalho manual, a emoção de compartilhar um projeto com uma mãe que volta a sorrir e, passada a tensão, parece que remoçou algumas décadas... Neste momento, enquanto ela se recupera e borda, eu escrevo e me recupero.

domingo, 9 de maio de 2010

O nome do Blog: que difícil!


Queridos, às vezes me gabo de ser boa com palavras, mas os títulos são meu “calcanhar de Aquiles”... O fato é que sou muito sentimental, piegas e, na maioria das vezes, os títulos acabam por refletir um sentimentalismo meio rocambolesco...
Isso voltou a acontecer com o título deste blog: Sentimentos Bordados foi uma expressão que vi no site do projeto Tecendo Nossa Historia e que achei bem legal. O que é um bordado senão a expressão de muitos sentimentos? Para mim, por mais simples que seja, cada ponto empregado vem carregado de pensamentos, momentos em que pude aquietar meu espírito e pensar em coisas importantes ou não, refletir ou, simplesmente, desocupar a mente da barulheira do dia a dia.
Mas fiquei achando brega para título. Aí, resolvi perguntar para o meu irmão, que é ótimo com títulos e muito espirituoso, em busca de algo mais descolado, engraçado, com mais cara de blog. Ele sugeriu “Bordando o 7”, que adorei! Hoje descobri um blog maravilhoso com este mesmo título, mas grafia diferente: www.bordandoosete.blogspot.com Amei! Por fim, sem conseguir aceitar meu lado brega, continuei a quebrar a cabeça tentando achar um título que fosse sutil porém esclarecedor, elegante porém engraçadinho, direto porém discreto... Como podem ver, não estava nada fácil.
Ontem, bordando com uma linda linha matizada, me ocorreu que o nome do blog podia ter a ver com isto: as diferentes nuances que a linha matizada pode gerar no bordado, uma coisa que sempre me intrigou, e que tem tudo a ver com este meu momento “vagonite”. Não sei avaliar o quão brega este nome é, mas senti-me imediatamente ligada a ele e muito tranqüila. Por enquanto isto basta.

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