sábado, 6 de novembro de 2010

Girassóis e o sentido da amizade

Girassóis, de Van Gogh, tela bordada pela Gislene.
Sunflowers, Van Gogh, embroidered by Gislene.

Van Gogh sempre foi um pintor que me impressionou muito. Não tanto por sua conturbada história de fracassos e outras bizarrices, como a orelha decepada, mas pela angustia e, ao mesmo tempo, vitalidade de suas obras.

Confesso que a tela “Girassóis”, de 1888, não é a minha preferida. Se eu pudesse, teria “A noite estrelada”, de 1889, na qual um céu noturno aparece salpicado de grandes estrelas, bem revolto, com uma cidade palidamente iluminada ao fundo.

Mas eu tenho uma história antiga com os “Girassóis”. Minha amiga Gislene, responsável por me trazer de volta o ponto cruz, bordou essa tela incrível e me deu de presente.

Este presente possui diversos significados: para ela, este foi seu primeiro “trabalho extremo” com ponto cruz; bordá-lo, deu a certeza de que esta técnica permitiria outras “ousadias”, nas quais ela trabalha lindamente neste momento. Para mim, significa, além da sua superação, uma prova de amizade ímpar: horas de trabalho dedicados a propiciar “cor e luz” para a minha casa.

Van Gogh foi a personificação do fracasso durante sua curta vida. Suicidou-se aos 37 anos, após viver na doença mental seus últimos dias. Os “Girassóis” decoravam seu quarto, na França, talvez para trazer-lhe um pouco de cor e luz ou a visão de um mundo no qual houvesse esperança.

A superfície da tela mostra os girassóis como que sacudidos pelo vento, as tintas evocam pinceladas revoltas, angustiadas. A desordem que sentimos no arranjo das flores dá indícios do caos interior do pintor e eleva a natureza morta ao extremo, se é que posso falar assim. Não é a mera reprodução de uma cena, com suas luzes e sombras, mas, sim, a expressão da subjetividade do artista que a observa.

Assim, também a Gis leva sua arte ao extremo. Fiquei muito emocionada com o presente, que ganhará lugar de destaque na minha casa e não me deixará esquecer que a amizade é o que confere luz e cor às nossas vidas. Nos momentos em que estiver sombria, os girassóis poderão lembrar-me que mesmo uma noite sem estrelas termina para dar lugar a um novo dia.

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Van Gogh was a painter who always impressed me. Not so much by its troubled history of failures and other oddities, like the severed ear, but the anguish and at the same time, the vitality of his works.

I confess that the painting "Sunflowers", 1888, is not my favorite. I prefer "The Starry Night", 1889, in which appears a night sky dotted with big stars and disheveled, with a city in the background.

But I have an ancient history with the "Sunflowers". My friend Gislene, responsible for bringing me back cross stitching, embroidered this incredible canvas and gave me like gift.

This gift has several meanings: for her, this was her first "extreme work" with cross stitch; embroider it, gave the assurance that this technique would enable other amazing things, in which she works beautifully now. For me it means a proof of friendship: hours of work dedicated to providing "color and light" to my house.

Van Gogh was the personification of failure during his short life. He committed suicide at age 37 after living in mental illness his last days. The "Sunflowers" decorate your room, in France, perhaps to bring you a little color and light or vision of a world in which there was hope.

The surface of the screen shows that as the sunflowers shaken by the wind, the ink strokes evoke riots, anguished. The disorder that we feel in the arrangement of flowers shows signs of the chaos inside the painter, if I may say so. Not the mere reproduction of a scene, with its lights and shadows, but rather the expression of the subjectivity of the artist observes.

Thus, Gis also takes her art to the extreme. I was very thrilled with this gift which it will gain a prominent place in my house and not let me forget that friendship is what gives light and color to our lives. In the moments that are dark, the sunflowers will remember that even a starless night will give way to a new day.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

W.I.P. - Bordar com Sentido


Como muitos sabem, sou mãe de dois meninos, um de três e um de seis anos. Para eles, eu e a Gislene estamos bordando o alfabeto da Margaret Sherry, que vocês podem ver aqui. Alguns também devem ter notado a minha preocupação com a questão utilitária do bordado: sempre procuro bordar peças que tenham sentido e valor para alguém, quer seja para presentear ou para uso próprio.

Hoje, visitando o blog da Janaina, vi que ela borda para ajudar. Sensacional! Faz todo sentido! Além do prazer e do relaxamento proporcionados pelo ato de bordar, você pode fazer uma criança sorrir, apesar da situação crítica em que esta se encontre, ao receber uma linda colcha de pacthwork e ponto cruz com o tema que gosta, feita com a colaboração de pessoas de diferentes lugares, mas imbuídas do mesmo espírito.

Acredito que, assim como para mim, a saúde dos filhos é talvez o primeiro item na lista de “coisas mais importantes da vida” de todas as mães. Contribuir para amenizar, um pouco que seja, o sofrimento de uma criança com câncer (ou outra doença igualmente preocupante) é, penso, aliviar também, de certa forma, o coração da mãe. Assim, cada bordado é mais que ele mesmo: é uma história de afeto, de solidariedade e de aceitação das vicissitudes da vida.

"Eu acho que vi um passarinho..."
"I think I saw a little bird..."

Já me comprometi com o LovequiltsBrazil.org. Para o Lucas, está em andamento um Piu Piu amarelinho, bem iluminado. Em breve, espero postar este trabalho completo. Por enquanto, vejam a quantas andam meus dois w.i.p.

Estes hedgehogs ficarão mais lindinhos com seus pêlos, não?
This hedgehogs will be more adorable with their hair, won't it?
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As many know, I'm a mother of two boys, three and six years old. For them, me and Gislene are embroidering the alphabet from Margaret Sherry, you can see hereSome also have noted my concern about the issue utilitarian embroidery: I always try to embroider items that have meaning and value to anyone, whether for gifts or for own use.

Today, visiting the Janaína's blog, I saw the embroidery to help. Amazing! Makes perfect sense! In addition to fun and relaxation provided by the act of embroidery, you can make a child smile, when receives a beautiful quilt in pacthwork and cross stitch, done in collaboration with people from different places, but imbued with the same spirit.

I believe health of children is the first item in the list of "most important things in life" for all mothers. Contribute to soften a bit as it is, the suffering of a child with cancer (or other disease also concern) is also relieve to some extent, the mother's heart. Thus, each embroidery is more then itself: a story of affection, solidarity and acceptance of life's vicissitudes.

Already committed myself to LovequiltsBrazil.orgFor Lucas, I'm embroidering a beautiful Tweet. Soon, I hope to post complete job. For now, see my two wip.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A Girafa e o Jaguar

Esta girafa é tão bonita! Meu bichinho preferido.
This giraffe is so beautiful! My favorite pet.

Olá a todos! Estou super feliz de fazer parte do Margaret Sherry Lovers! Acabo de postar as duas primeiras letras do alfabeto que estou bordando com a Gis e que vocês têm acompanhado aqui. Este projeto tem me dado grandes alegrias e os meninos - que serão presenteados com as colchas - estão adorando cada bichinho. Atualmente estou bordando o "H". Espero que gostem!  

Vejam este jaguar, que bonito! Ele foi bordado pela Gislene.
Watch this jaguar, how beautiful! It was embroidered by Gislene.
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Hello everyone! I am so excited to be part of the Margaret Sherry Lovers! I just post the first two letters of the alphabet that I'm embroidering with Gis and that you have followed here. This project has given me great joy and my boys - who will get the quilts - they're loving every pet. I'm currently stitching the "H". Enjoy!

sábado, 16 de outubro de 2010

Mais letras

Sapinhos para um "F" bordado por mim.
Little frogs for an "F" embroidered by me.

Lindos macaquinhos e suas bananas, no "M" bordado pela Gis.
Beautiful little monkeys and their bananas, "M" embroidered by Gis.

Olá! Hoje resolvi postar mais duas letras do abecedário da Margaret Sherry, projeto que está sendo desenvolvido por mim e pela Gislene. Espero que gostem!

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Hello! Today I decided to post two more letters of the alphabet from Margaret Sherry, a project that is being developed by myself and my friend Gislene. Enjoy!


quinta-feira, 14 de outubro de 2010

ABC

Os esquilos animam meu "S", bordados pela Gis. Parecem que vão sair pulando a qualquer momento, não?
Squirrels enliven my "S" embroidered by Gis. Seems like it will jump out at any time, no?

Este bichinho misterioso (não, não é um urso - bear...) foi bordado por mim.
This mysterious little animal (no, it isn't a bear...) was embroidered by me.


As letras do abecedário da Margaret Sherry têm absorvido a mim e à Gis. Os bichinhos parecem tridimensionais de tão reais, com seus pêlos e bigodinhos... Lindos e rápidos, minha combinação preferida.
  
Já temos um "M" prontinho, em breve posto a foto. Estou trabalhando no "F" que será seguido de um lindo "H".

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The letters of the alphabet from Margaret Sherry have absorbed me and Gis. The pets seem so real three-dimensional, with their hair and mustache...  Beautiful and fast, my preferred combination.


We have an "M" all ready, will soon post a picture. I'm working on the "F" will be followed by a gorgeous "H".

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A questão do abecedário


Depois que inventei de mergulhar no mundo dos blogs, tenho pesquisado e comprado cada vez mais publicações internacionais. O Brasil ainda engatinha em matéria de livros sobre bordados e, quando se trata do cross stitch então, a situação piora. Os gráficos se repetem à exaustão nas revistas nacionais, com raríssimas exceções.

Dito isto, uma coisa me chamou a atenção, nessa minha retomada do velho ponto cruz: a maioria das revistas européias traz lindos abecedários, com os mais diversos temas, que são apresentados como recursos de decoração para as casas. Imagino que os abecedários devem ter sua utilidade na sala de aula, mas na decoração de uma sala de estar? Comichão...  

Aí, para botar mais lenha na fogueira, a Nia, do Margaret Sherry Lovers postou um lindo abecedário com os bichinhos característicos da Margaret Sherry. Fiquei ouriçada.

Mas vou bordá-los com que fim? Lá estava eu às voltas com a questão utilitária... Continuo a saga sem fim dos bookmarks? Ocorre que os temas são larguinhos e tomariam quase toda a página de um livro de tamanho padrão... Por fim, imaginei que seria divertido para os meninos terem as letras em seu quarto e poder brincar um pouco com o nome dos bichinhos em inglês (cada letra vem acompanhada de um animal que a "representa").

Assim, o projeto do momento são as letras, bordadas em ponto cruz, uma a uma, para um futuro patchwork (barra de colchas, fronhas?), já que os meus pequenos estão se alfabetizando. A Gis começou com o "S" e o "M". Eu fiquei com o "A" e o "F". Em breve, mostro o andamento deste projeto.

domingo, 10 de outubro de 2010

Será mesmo o fim da série Bookmarks?


Final de semana trasado, concluí os dois projetos especiais da Série Bookmarks: o “A” roto e o “Little Miss Venezuela”.

O bordado do “miss” sobre a base de vagonite azul acabou por repuxar um pouco a étamine, o que dificultou a execução da parte de trás. As palavras foram bordadas em ponto haste (“miss”) e ponto atrás (“little e Venezuela”).
Detalhe de como o "M" em ponto haste repuxou a etamine. 
Apesar da queixa do meu irmão de que o “Little Miss Venezuela” ficaria mais bonito que o dele, confesso que acabei por gostar mais do resultado final do “A”, bordado com as linhas em tons escuros, com pequenas traças bordadas em ponto cheio, em linha marrom. Gostei especialmente da parte de trás do bookmark, com o aproveitamento de aparas de uma calça jeans escuro que comprei grande demais. Achei que ficou bem casado com o aspecto meio destróier da parte frontal.
A foto acabou ficando meio sépia, por causa da luz...
Esta semana os bookmarks viajaram para São Paulo e, em seguida, seguem para Caracas. Espero que, passada a tensão relativa à eleição venezuelana, a Flavia possa ler um bom livro e usar seu presente.

Ocorre que pensando nesta questão utilitária – eu ainda estou muito fixada nesta coisa da utilidade – me dei conta que, após distribuir tantos marca páginas, eu estava marcando as páginas da minha leitura da Guerra dos Tronos (um portentoso volume de quase seiscentas páginas) com um pedacinho de papel qualquer... “Casa de ferreiro, espeto de pau”, dizia minha mãe, dona de mercearia, cada vez que algum item faltava para o preparo do almoço ou jantar na nossa casa da infância.

Assim, meio envergonhada, comecei a pesquisar um tema para o meu próprio bookmark. De pronto, imaginei uma girafa. Adoro girafas e todo mundo que me conhece sabe o quanto elas me emocionam. Separei outros motivos, mas, curiosamente, passei ao largo do meu monograma. Já tinha separado, para bordar no futuro, bichinhos muitos engraçados, decorados com xadrezes ou estampas, o que os diferenciava do mero tema infantil e conferia um ar meio kitsch.

Escolhi uma ovelha xadrez e, ao seu lado, bordei alguns “Z” para remeter ao fato de que, de tão cansada, acabo lendo menos do que gostaria: sou vencida pelo sono. A ovelhinha acabou sendo uma piada sobre mim mesma, o que adoro. O resultado ficou bem legal e comecei a bordar outra, estampada com bolinhas. Só para poder escolher.
Essas ovelhas são bem oníricas, não?
Nem sei de qual gostei mais...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Uma exposição e o significado de “estupendo”


Meus filhos herdaram de mim um gosto incomum por palavras. Ambos utilizam o vocabulário de maneira muito particular para expressar seus sentimentos: o Gui, mais comedido, quer saber o significado de tudo ou a tradução para outras línguas; o Rafa, mais solar, ao ver qualquer diálogo iniciado, acha que se omitir é pecado mortal e tem sempre uma opinião na ponta da língua ou o indefectível “deixa eu falar!”.

Ontem, eu e o Gui conversávamos sobre a beleza das palavras. “Qual a palavra que tu acha mais bonita, mãe?” “Ah, filho, existem tantas palavras legais... por exemplo: ignóbil.” Espanto. “O que é isso?” “É o mesmo que burro, filho.” “Ah, ta...” (Aqui, cabe uma explicação: dei uma forçada no significado literal da palavra para aproxima-la da compreensão dele, que tem seis anos apenas. Como eu explicaria como é ser “sem nobreza ou abjeto” para o Gui?? Ficou pra próxima...)

E continuamos: “E você, meu filho, qual sua palavra preferida?” De bate pronto: “Estupendo”. Levei alguns segundos para me recuperar. Que palavra sensacional! Como a usamos pouco! Admirei profundamente o meu pequeno naquele momento. “Eu gosto muito de esplendido”, falei, não sem certa timidez. “O que é esplendido?” Ele quis saber. “O mesmo que estupendo, oras!” Satisfeito com a explicação, correu pros seus brinquedos e nem me deu chance de comentar que ambas as palavras eram “irmãs” de uma das palavras preferidas do meu pai, a bela “formidável”...

No sábado, visitei a exposição Traço Ponto Arte, que sintetiza o encontro feliz dos artistas plásticos Wilson Neto (http://www.wilsonneto.com/wn/) e Vera Dessart. Ele, dono do traço e das tintas, ela, senhora das linhas e cores, criaram juntos treze telas que unem, de uma maneira muito delicada, a pintura e o bordado, em suas diversas expressões.
A obra que mais gostei: "Amigos"

Eu fico extasiada quando vejo o bordado alinhar-se a outras formas de expressão artística, em altíssimo nível, como nesta exposição. Penso que a visão utilitária que a maioria das pessoas tem do bordado contribuiu para que este perdesse, ao longo do tempo, a capacidade de ser valorizado como arte per si. Nada contra decorar nossas casas com capas de almofadas, fronhas e colchas. No entanto, é formidável perceber que o bordado pode ser mais que seus diversos usos. É arte, expressão da cultura dos povos desde tempos imemoriais e, nele, podemos nos reconhecer e nos transcender.

O trabalho dos dois artistas me emocionou demais. Fiquei feliz por longas horas. Quando comentei com amigos sobre a felicidade que sentira, havia uma única palavra para resumir a exposição: estupenda. Obrigada, Gui.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Minha Biblioteca



Quando eu era pequena e morava numa cidade também pequena, era muito difícil ter acesso a livros. Eu lia tudo que me caía nas mãos e, depois de descobrir o reembolso postal, comecei a comprar livros com o dinheiro que juntava ou ganhava dos meus pais.

A sensação de ir aos Correios pegar os pacotes, abri-los lentamente e desvendar seus conteúdos secretos deve ter me marcado profundamente por que, mesmo depois de adulta, continuo a repetir estes gestos, agora graças à ajuda da internet e ao desenvolvimento da logística.

Minha biblioteca de livros sobre bordados e de livros ilustrados com bordados vem crescendo razoavelmente nos últimos meses. Não sei direito se isto ocorreu por causa do nascimento do blog ou se o blog nasceu por causa da chegada dos primeiros livros! ;-D

Ontem, uma remessa que comprei pela Amazon chegou e me deixou extasiada... Que coisas lindas podem ser feitas com a combinação prosaica de linha e agulha... O pacote continha um livro diferente da Trish Burr (Crewel & Surface Embroidery), outro livro lindo sobre trabalhos japoneses que utilizam o silk embroidery (Painting With a Needle, da Young Yang Chung), o Three-Dimensional Embroidery Stitches (Pat Trott), e por fim, mais um pequeno volume sobre receitas de pontos (Embroidery Stitches, da Mary Webb), o terceiro da minha coleção. São livros maravilhosos, que não canso de apreciar.
Sim, é mesmo um bordado...

No entanto, de todos os meus livros, alguns dos “mais preferidos” (para usar um pleonasmo dos meus meninos, que adoro) são os da Ângela Dumont, que apresentam lindos trabalhos feitos a muitas mãos por sua família. É a síntese do encontro feliz da singeleza com a técnica.  

Meus "mais preferidos"

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Fechando Gestalts


Bordado em pontos livre, realizado na fronha.

Domingo passado, fechei uma “gestalt”, por assim dizer. A colcha bege com o bordado de orquídeas foi terminada, depois de muitos meses. A comparação com uma gestalt refere-se ao fato de que foi este trabalho que permitiu o meu reencontro com o bordado livre e, posteriormente, despertou o desejo de escrever sobre o assunto; era algo que estava em aberto e se encerrou, deixando um importante saldo para mim.

A vontade de criar um blog estava latente, aguardando um tema que fosse, ao mesmo tempo, desafiador e apaixonante. Já havia pensado em escrever sobre muitas coisas, mas nada parecia relevante o suficiente. Quando o insight para escrever sobre trabalhos manuais ocorreu, não deixou sombra de dúvida.

O bordado, executado nas duas fronhas e na barra da colcha bege foi um campo de testes para muitos pontos. As flores foram executadas em ponto margarida e cheio. Nas folhas, experimentei diversas combinações de ponto haste, atrás e cadeia. Nas orquídeas, alternei o ponto matiz e o ponto cheio. O desenho original era um gráfico para ponto cruz que adaptei por meio de uma folha de papel de seda branco. Espero que gostem do resultado.
Detalhe da outra fronha, usando pontos diferentes.
Detalhe da barra da colcha, com ponto rococó em lilás.
Flores em ponto margarida, botões em ponto cheio.

Quando arrumados, no entanto, os bordados das fronhas e da colcha pareceram pequenos e desproporcionais para o tamanho da cama... Fiquei achando que eu deveria ter bordado algo mais contínuo, ao longo da barra e da altura das fronhas... Aprendizados.
Ficou ou não ficou pequeno?

Bordados da barra da colcha.

Nem todas as gestalts fechadas deixam o gosto de sucesso irretocável na boca. Algumas são até dolorosas, para dizer a verdade. Mas fechá-las é sempre positivo. Faz a gente melhor.
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