sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Giveaway para os Margaret Sherry Lovers
A Nia, do Caixinha de Pirlimpimpim, tem um outro blog, o Margaret Sherry Lovers, em inglês, que mostra lindos trabalhos feitos a partir de gráficos da Margaret Sherry. Neste blog, ela está oferecendo um Giveaway com o qual já comecei a sonhar...
Se você quiser participar, basta deixar um comentário ou twittar, não precisa ser seguidor (como eu!!!).
Mas vou logo avisando: tenho o costume de ganhar sorteios, hein?! ;-D
Bom dia a todos!
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Bookmarks Revolution
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| Novo projeto do bookmark do meu irmão, depois do fracasso com o ponto cruz |
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| Projeto do bookmark para a Little Miss Venezuela |
Adoro cinema/literatura e adoro séries. Combinação
explosiva, essa. Tudo que vem a partir de três – exceção feita aos vampirinhos
atuais, para os quais já tive minha cota há tempos – me causa cosquinhas no
nariz, um sinônimo para a tal “comichão cerebral” já comentada em outro post
(clique aqui).
Assim, quando meu irmão me desafiou na confecção do seu bookmark (veja um título de péssimo gosto aqui) eu achei que ficaríamos naquilo. Em seguida, após o post publicado e de saber que ele viajaria para os recônditos da América de Sul para encontrar a Flávia, não titubiei: “Você leva o bookmark dela?” “Claro, você já fez?” “Não... – cosquinha no nariz – Por quê?” “Por que você não faz com os dizeres “Little Miss Venezuela”?”
Gênio! Sabe, uma das coisas que me empolga nos trabalhos
manuais é saber que pode contentar das nossas tias e avós aos designers do
momento! Tal qual a culinária, de repente chega um maluco que, com os mesmos
ingredientes detonados diariamente pela minha secretária, faz uma tal comida
molecular – ou coisa que o valha – e nos deixa com aquela sensação de “uau!”. É
a mesma coisa e não é. A base é a mesma, mas o resultado é totalmente
diferente.
Estou meio posh com os projetos em andamento, é
fato. Estou achando que peguei um ponto básico – o vagonite – e estou criando
algo um pouco diferente do habitual. No bookmark do meu irmão, usei uma gama de
cores meio dark (preto, roxo, verde escuro, bege, chumbo e prata) e deixei, de
propósito, sem acabamento, para criar a tal sensação de roto. Vou bordar uns
besourinhos para simular as traças, que teriam roído o “A”, inicial do nome
dele.
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| O "A" já riscado na etamine pro bookmark do meu irmão |
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| Com a base já preenchida. Adorei a combinação de cores! |
No bookmark da Flavia, usei como base a bandeira da
Venezuela, com suas cores e estrelas que circulam a palavra “Miss” em letra
cursiva, que pretendo bordar em branco ou pink, com preenchimento em ponto
haste. As demais palavras pretendo bordar em ponto atrás ou haste, em uma cor
contrastante.
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| Base já preenchida. Os dizeres, em carbono amarelo, estão quase imperceptíveis... |
O título deste post remete ao último filme da Trilogia
Matrix que, vez por outra assisto, só para matar a saudade, assim como Senhor
dos Anéis e, mais recentemente, a Trilogia Millenium. No final da semana
passada fui fisgada por uma série mais uma vez: As Crônicas de Gelo e Fogo,
cujo livro 1 – A Guerra dos Tronos – acaba de ser lançado. Baixei o primeiro
capítulo na internet e não resisti: terei muitos momentos de ansiedade aguardando
as seis continuações previstas pelo autor...
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Dente de leite
Há alguns dias, meu filho mais velho perdeu seu primeiro
dente de leite. Esta situação é banal e corriqueira para quem é pai e mãe. Para
mim, uma canceriana empedernida, foi devastador. Chorei um rio.
Explico-me: toda mãe tem seus ritos de passagem com relação
ao crescimento dos filhos. Algumas choram na retirada da mama, outras da
mamadeira, outras quando os filhos largam a chupeta, outras ainda no primeiro
dia de escola... Eu chorei quando o Gui perdeu seu primeiro dentinho.
Ali, ficou claro para mim o fim da primeira infância dele.
Tudo, dali por diante, é permanente, inclusive os dentes com os quais ele
viverá até o fim da vida. Foi a constatação da fugacidade (e da fragilidade)
daquele breve período que me emocionou...
Hoje, sem eu esperar, o Linhas Matizadas perdeu seu
primeiro dentinho de leite.
Explico-me de novo: quando criei o blog, ingenuamente
acreditei que o simples ato da criação já faria com que os robôs de pesquisa de sites como o Google, por exemplo, o encontrassem. Ledo engano! Eu ainda não sabia que no
mundo virtual, tal qual no mundo real, a gente só existe pelo olhar do Outro!
Em outras palavras, era preciso uma quantidade (que não sei precisar) de
acessos para que o blog pudesse ser “enxergado” e passasse a ser localizado
quando as palavras fossem digitadas no campo de busca.
Vou confessar: isso me deprimia... Cada vez que eu digitava
“linhas matizadas” e vinha tudo menos o link para o blog, meu narcisismo levava
um soco no estômago.
A Gis, sabedora da minha aflição narcísica, foi realizar
uma busca eventual e, pasmem!, finalmente os robôs acordaram! Para mim, foi
como se o blog perdesse uma certa característica de impermanência, de vir a
ser, tivesse saído da sua primeira infância. Ele agora existe pro mundo!
Óbvio que, tal qual os passos de cada um dos meus filhos
nesses breves primeiros anos, cada acontecimento do blog ficou registrado na
minha memória: os primeiros comentários, a primeira vez que pessoas de outros
países acessaram os posts, os fracassos ocasionais e os acertos...
Antes que este post afunde ainda mais na pieguice, quero
agradecer a todos por compartilharem comigo esta aventura, pelos comentários
carinhosos e animadores e pelas visitas anônimas que fizeram da estatística a
minha ciência preferida nos últimos meses. ;-)
sábado, 11 de setembro de 2010
Além da queda...
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| Fronha com vagonite em linha matizada |
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| Detalhe dos contornos em ponto cadeia e ponto atrás. |
melhor, usa uma Honda Biz lilás para se locomover. O que é praticamente uma
regra nas cidades do interior do país.
Ontem ela se tornou motoqueira por que sofreu uma queda das boas. Guardará
os "troféus" dessa experiência e, quando perguntada, afirma que escapou por
pouco, que o acidente foi feio, mas que a moto pouco sofreu. Como todo
motoqueiro que se preze, o veículo aparece antes na avaliação dos danos...
Mudou de estatuto, realmente.
Não é a primeira vez que a minha mãe aparece no blog. Em outra oportunidade,
escrevi sobre a relação entre o trabalho manual que executamos juntas quando
ela fez uma delicada cirurgia para a retirada de um tumor no pescoço, coisa
superada. O bordado em vagonite com uma linha matizada foi concluído e eu
montei, há muitos dias, duas fronhas com ele, porém, por algum motivo que
não consigo precisar, não o fotografei para o blog.
Após a notícia do acidente e de constatar que ela está bem, pareceu-me mais
que oportuno mostrar o trabalho concluído. É como uma prestação de contas.
Só para garantir.
Um "A" roto e outras invencionices (que trocadilho infame...)
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| Projeto rabiscado no moleskine. |
Meu irmão se queixou, recentemente, de ser o único jornalista em São Paulo
que ainda não tem um Kindle (ou um iPad). Obviamente levei alguns segundos e
alguns cliques para ligar o nome ao produto.
Imediatamente, a Série Bookmarks lindinhos e personalizados pareceu
despropositada ou, antes, peça de museu, como aqueles bibelôs vitorianos.
Quase choro.
Estariam os meus queridos livros, com toda sua textura, cor e peso,
condenados? A mente pragmática processava, em outro lugar, que utilidade
teriam as novas estantes do escritório, enquanto meu irmão defendia que os
leitores de e-books não condenariam os livros físicos e me mostrava o
potencial da ferramenta, os benefícios de sua portabilidade, etc.
Para me acalmar/alegrar/consolar, meu irmão disse que "adoraria" receber o
seu bookmark personalizado, adepto, como eu, do cheiro dos livros de papel.
Mas teria uma condição: queria ele fosse bem roto, como se estivesse comido
por traças. Adorei a idéia e o desafio do projeto. Minha cabeça
imediatamente começou a fervilhar de possibilidades e técnicas.
Rabisquei um desenho no moleskine, mas continuo em dúvida sobre a técnica
que melhor possa reproduzir o trabalho das traças. Ponto cruz, vagonite,
bordados livres? Cartas para a redação deste blog.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Por que blogar?
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| Novos monogramas e marcadores embalados para presente |
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| Verso dos marca páginas com "lembretes" |
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| Detalhe do monograma com borboletas |
Não é segredo para quem convive comigo o quanto sou
empolgada com o meu blog. Falo dele sempre que possível, busco formas de
torná-lo conhecido para todo tipo de gente (inclusive as que não gostam de
trabalhos manuais...), etc.
Mas durante esta semana passada, vários acontecimentos me
trouxeram uma pergunta insistente: por que blogar? Aos mais apressadinhos vou
logo adiantando: não encontrei uma resposta única e exata.
No rés do chão, encontrei meus delírios de grandeza: para
ser lida e admirada por milhões, publicar um livro (quem sabe um dia...), ter
fama e riqueza (seria mais fácil acertar a megasena acumulada?!), influenciar
pessoas do mundo inteiro a bordar no tempo livre... Delírios.
Trazendo a pergunta pro nível da realidade, outras
constatações: a alegria de receber os comentários de amigos ou desconhecidos
que visitaram o blog e, em algum aspecto foram tocados ou gostaram de algum
trabalho publicado, saber que você PODE escrever e que o escrito tem valor para
outrem, verificar as estatísticas e ver que pessoas de diferentes países
acessaram o blog, conhecer outros blogueiros que compartilham a mesma paixão...
Boas respostas para quem, como eu, além das suas atividades
cotidianas de profissional, dona-de-casa, mãe dedicada, filha amorosa, irmã
solícita, tia brincalhona e esposa apaixonada, tem que encontrar tempo para
produzir conteúdos. No caso deste humilde blog, posso dizer que são dois
conteúdos, já que os trabalhos postados também são, com algumas maravilhosas
exceções, executados por mim integralmente.
De outro lado, as frustrações competem bravamente com as
alegrias. Sim, não existe mesmo uma lei que obrigue a quem navega pela
blogosfera a deixar um “oi” que seja. Muita gente é tímida na internet mais que
na vida real: lê, gosta, pensa em comentar, mas... desiste... Outros acham que
se tornar “seguidor” do blog é quase como assinar uma comunhão total de bens...
Aaaffff!...
A sensação de escrever para ninguém é desalentadora, mas a
esperança que nos empurra deixa um gostinho bom de vingança na boca quando
ajuda a refutar a história dos escritores que afirmam só escrever para si
mesmos e mais ninguém. Balela total! A gente sempre escreve para ser lido pelo
Outro (assim mesmo, com “O” maiúsculo)! E eu nem precisava ser psicanalista
para saber disso...
Com a minha vivência como blogueira, comparo alguns comportamentos às regras de educação usadas quando visitamos a casa de alguém: você sai sem se despedir? Não, a menos que esteja fugindo ou roubando! ;-) Assim, antes que o post vire um “muro das lamentações” intermináveis, o placar foi ligeiramente favorável às alegrias.
Espero um dia não voltar a alardear que escrevo “só pro meu
prazer”. Mentira total, auto-engano, conversa despeitada de gente que não sabe
reconhecer a derrota! A verdade nua e crua é que escrevo para você. Se cair bem, se você esboçou um breve sorriso com os posts ou colocou algum
trabalho naquelas listas de “coisas a fazer”: BINGO! Terei marcado um pontinho.
Na outra hipótese, a lista de coisas a fazer é minha:
-
Tornar o blog interessante;
-
Postar conteúdos que sejam relevantes;
-
Aprender a escrever;
-
Perder com classe;
-
Perseverar.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Uma reconciliação
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| Frente |
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| Costas |
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| Detalhe da borboleta com continhas |
Comecei a bordar um “A” de um monograma que traz pequenas borboletas incrustadas. O resultado foi tão bom que me deu vontade de bordar o alfabeto inteiro. A java para ponto cruz marfim ficou bem com os tecidos estampados da parte de trás e, com a prática, costurei dois marcadores rapidamente. O marcador com “A” foi dado de presente pelo Rafael para a Tia Ale. O segundo marcador, com o bordado de um grande lápis vermelho, foi presenteado à Tia Marilac. Esta recebeu ainda, por conta do seu aniversário no domingo anterior, a toalha marfim bordada em crivo. Fiz uma embalagem em forma de bombom (tks, Gis!;-) ) que o Rafa achou bem engraçada.
Infelizmente não tirei as fotos destes dois primeiros marcadores... Mas a série continua, com as letras das pessoas que eu pretendo presentear. Estou gostando bastante de bordar rapidamente o monograma e já usei cores diferentes para as borboletas. Imagino que seja uma boa opção para as lembrancinhas de final de ano ou de páscoa.
Como pensar nunca é demais, vamos mais uma vez extrapolar as fronteiras do prosaico. A irredutibilidade é completamente “over”. Passei um longo tempo sendo absolutamente inflexível com relação ao ponto cruz e eis que me vejo bordando cruzinhas novamente e, melhor, adorando! Como tudo o mais na vida, o segredo está na intensidade. Nem todo mundo (eu incluída) sentirá prazer nos trabalhos extremos em ponto cruz, aqueles bem desafiadores, mas isto não significa ter que abrir mão do prazer dos bordados breves, fugazes.
Na minha busca pelo equilíbrio, pelo caminho do meio – que passa pela alimentação, pela relação com o trabalho, com as pessoas, etc. – não havia mais espaço para o “nunca”. Fui inflexível tempo demais. Assim, em processo de reconciliação com o ponto cruz, com o meu corpo, com a minha saúde, com os meus relacionamentos, com o meu tempo, fico mais inteira e coerente.
Diante das vicissitudes da vida, tento seguir o exemplo da Aninha que certa feita me respondeu: “Sei que o caminho é em frente e a ordem da vida é: enfrente!”. Aninha também tem me ensinado a importância das “diversões da alma”.
Este blog é uma grande alegria para a minha alma, assim como todos os trabalhos que tenho feito o são. Cada um de nós tem sua receita.
Com que diversões você tem presenteado sua alma? Às vezes não sobra tempo e, desatentos, não percebemos que a rotina passou seu rolo compressor sobre sonhos, projetos, idéias, pequenos hábitos que humanizavam o dia-a-dia. O que fica não é muito mais que um bagaço espremido...
domingo, 15 de agosto de 2010
“Desdetalhado”
Meu filho mais velho saiu com esta belíssima expressão dia desses de manhãzinha: “Aquele modelo era mais feio, mãe... assim... desdetalhado!”. Depois de controlar a crise de riso, achei que o neologismo do Gui fazia todo sentido: a beleza realmente está nos detalhes. E foi por causa de alguns detalhes que este post foi escrito.
Depois de constatar que estou sempre escrevendo para as paredes e cansada de ouvir as pessoas dizerem: “Tentei entrar em teu blog, mas como é mesmo o nome?”, “Não consegui localizar teu blog no google, tá acontecendo algum problema?”, resolvi tomar algumas atitudes mais práticas e criar mecanismos para facilitar a vida das pessoinhas mais esquecidas.
Comecei a matutar sobre como ter algo rápido e bacana para quando eu falar sobre o meu blog e pensei num cartão de visitas. Comecei a fazer alguns layouts, mas desisti ao lembrar de todos os cartões que já recebi e foram ficando pelas gavetas, dentro de bolsas ou simplesmente jogados no lixo. Ocorreu-me que meu “lembrete” deveria ter alguma utilidade. Foi então que começou a saga do marca página.
Pesquisei vários modelos na internet e rabisquei alguns modelos no meu moleskine, tentando integrar a informação sobre o blog a alguns detalhes que remetessem ao bordado. Deu super certo no papel e mega errado na prática: fiasco total!
Nova pesquisa e uma decisão: fazer todo em tecido, com a parte da frente em java para vagonite e a parte de trás em tecido estampado, com um pequeno bolsinho que pode servir para guardar lápis e no qual vou colocar o lembrete com o nome do blog. O detalhe residirá no bordado.
Enquanto isso, dois eventos envolvendo amigos acabaram por me mostrar a importância dos detalhes.
No primeiro, uma amiga querida entristecida pelo câncer generalizado de uma irmã e a insanidade da mãe, esboça breves sorrisos, num café da manhã para espairecermos da amnésia que é a vida.
No segundo, nos encontramos para a despedida de um dos nossos, que parte para alçar outros vôos. Cada um que falou relembrou fragmentos de histórias e recebeu, como réplica, um presente do que se vai: a descrição dos momentos mais preciosos que levaria consigo. Detalhes de todos e de cada um.
O que é a amizade se não uma seqüência de detalhes com os quais tentamos tornar a vida mais bonita? Os fracassos ocasionais, a finitude, a partida dos que queremos bem: detalhes dolorosos que nos ajudam a não esquecer o valor de recomeçar, a importância de aceitar e o poder da amizade.
Eu não ia querer mesmo uma vida assim “desdetalhada”.
Depois de constatar que estou sempre escrevendo para as paredes e cansada de ouvir as pessoas dizerem: “Tentei entrar em teu blog, mas como é mesmo o nome?”, “Não consegui localizar teu blog no google, tá acontecendo algum problema?”, resolvi tomar algumas atitudes mais práticas e criar mecanismos para facilitar a vida das pessoinhas mais esquecidas.
Comecei a matutar sobre como ter algo rápido e bacana para quando eu falar sobre o meu blog e pensei num cartão de visitas. Comecei a fazer alguns layouts, mas desisti ao lembrar de todos os cartões que já recebi e foram ficando pelas gavetas, dentro de bolsas ou simplesmente jogados no lixo. Ocorreu-me que meu “lembrete” deveria ter alguma utilidade. Foi então que começou a saga do marca página.
Pesquisei vários modelos na internet e rabisquei alguns modelos no meu moleskine, tentando integrar a informação sobre o blog a alguns detalhes que remetessem ao bordado. Deu super certo no papel e mega errado na prática: fiasco total!
Nova pesquisa e uma decisão: fazer todo em tecido, com a parte da frente em java para vagonite e a parte de trás em tecido estampado, com um pequeno bolsinho que pode servir para guardar lápis e no qual vou colocar o lembrete com o nome do blog. O detalhe residirá no bordado.
Enquanto isso, dois eventos envolvendo amigos acabaram por me mostrar a importância dos detalhes.
No primeiro, uma amiga querida entristecida pelo câncer generalizado de uma irmã e a insanidade da mãe, esboça breves sorrisos, num café da manhã para espairecermos da amnésia que é a vida.
No segundo, nos encontramos para a despedida de um dos nossos, que parte para alçar outros vôos. Cada um que falou relembrou fragmentos de histórias e recebeu, como réplica, um presente do que se vai: a descrição dos momentos mais preciosos que levaria consigo. Detalhes de todos e de cada um.
O que é a amizade se não uma seqüência de detalhes com os quais tentamos tornar a vida mais bonita? Os fracassos ocasionais, a finitude, a partida dos que queremos bem: detalhes dolorosos que nos ajudam a não esquecer o valor de recomeçar, a importância de aceitar e o poder da amizade.
Eu não ia querer mesmo uma vida assim “desdetalhada”.
Capas de Garrafão Reloaded: Folclore
A saga das capas de garrafão continua, a despeito de tudo, inabalável, tal qual novela mexicana. Terminado o projeto dos capotes da Nathália, estão na fila as pimentas chilli da D. Ana e flores para a Lenis (quase perdendo para pássaros, em homenagem ao Juvenal, papagaio dela).
Meu apreço por capas de garrafão sofreu críticas duras, mas eu fiz “ouvido de mercador”. “Eu poderia estar roubando, matando, mas estou aqui, fazendo capas de garrafão bordadas pros amigos”, respondi em várias ocasiões. Rsrsrsrsrsrs
Não quero saber por qual meio, quero apenas expressar as múltiplas possibilidades do bordado e permitir a quem ganha um presente compartilhar um pouco do carinho que dediquei naquela peça.
Por exemplo: a professora da Rafinha, Tia Marilac, faz aniversário em agosto, mesmo mês dele, e já informou: “É no Dia do Folclore!”. Na hora, pensando sobre que presente dar, lembrei do projeto em andamento, a toalha marfim, na qual tento reproduzir o bordado que parece Rechilieu, como uma boa opção.
Òbvio que seria mais divertido se eu tivesse fazendo algo que representasse os personagens mais famosos de nosso folclore... Mas numa rápida pesquisa na internet, descobri que o folclore pode ser definido como “...o conjunto de todas as tradições, lendas e crenças de um país e pode ser percebido na alimentação, linguagem, artesanato, religiosidade e vestimentas de uma nação”. (Fonte: http://www.velhosamigos.com.br/DatasEspeciais/diafolclore4.html)
Num país tão rico em festas, folguedos e, claro, folclore, nascer no dia 22 de Agosto é quase como nascer no Dia da Cultura e nosso artesanato acaba por ser uma parte de nosso folclore, concordam? Assim, se tudo correr bem, Tia Marilac receberá um presente personalizado, feito com o mesmo carinho que a une a mim e ao Rafa.
Sei que nem todo mundo tem tempo, disposição, vontade para os trabalhos manuais. Mas sonho com o tempo em que todos tenham mais tempo para a delicadeza das relações, para lutar contra a mercantilização do afeto e a massificação da subjetividade. Às vezes parecemos todos mulas sem cabeça correndo de um lado pro outro, sem saber direito o que procuramos nessa vida...
Não quero saber por qual meio, quero apenas expressar as múltiplas possibilidades do bordado e permitir a quem ganha um presente compartilhar um pouco do carinho que dediquei naquela peça.
Por exemplo: a professora da Rafinha, Tia Marilac, faz aniversário em agosto, mesmo mês dele, e já informou: “É no Dia do Folclore!”. Na hora, pensando sobre que presente dar, lembrei do projeto em andamento, a toalha marfim, na qual tento reproduzir o bordado que parece Rechilieu, como uma boa opção.
Òbvio que seria mais divertido se eu tivesse fazendo algo que representasse os personagens mais famosos de nosso folclore... Mas numa rápida pesquisa na internet, descobri que o folclore pode ser definido como “...o conjunto de todas as tradições, lendas e crenças de um país e pode ser percebido na alimentação, linguagem, artesanato, religiosidade e vestimentas de uma nação”. (Fonte: http://www.velhosamigos.com.br/DatasEspeciais/diafolclore4.html)
Num país tão rico em festas, folguedos e, claro, folclore, nascer no dia 22 de Agosto é quase como nascer no Dia da Cultura e nosso artesanato acaba por ser uma parte de nosso folclore, concordam? Assim, se tudo correr bem, Tia Marilac receberá um presente personalizado, feito com o mesmo carinho que a une a mim e ao Rafa.
Sei que nem todo mundo tem tempo, disposição, vontade para os trabalhos manuais. Mas sonho com o tempo em que todos tenham mais tempo para a delicadeza das relações, para lutar contra a mercantilização do afeto e a massificação da subjetividade. Às vezes parecemos todos mulas sem cabeça correndo de um lado pro outro, sem saber direito o que procuramos nessa vida...
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
As pequenas vilanias do cotidiano e a morte da gentileza
Meu tio Severino acaba de morrer. Como em tantas famílias, na minha ele era um
tio distante, que eu via ocasionalmente quando visitava meus pais, na pequena
cidade onde nasci. Estava sempre à sombra de sua esposa, mulher forte e
aguerrida, esteio da família.
Ele era um cordato, uma pessoa gentil. Não me lembro de uma ocasião sequer em
que tenha ouvido sua voz uma oitava mais alta. No telefonema no qual minha mãe
me contou sobre seu falecimento, o choro lamentava a perda de uma pessoa
querida. E eu, no meio do engarrafamento das oito da manhã, quedei pensando
sobre a falta que pode fazer uma pessoa cordata no mundo.
O que ele deixou? Filhos, netos, bisnetos. Não deixou bens, feitos, nome de
praça ou de rua. Não construiu um império, sequer uma pequena empresa. Não sei
bem em que trabalhou ao longo da vida, talvez um homem da terra. Na verdade, não
sei muito sobre sua história. Talvez as pessoas com as quais conviveu mostrassem
aspectos diversos.
Que pequenas vilanias teria cometido ao longo da vida? Foi mesquinho, tirano?
Seria sua gentileza fruto do amadurecimento de uma personalidade dura e
autoritária ou uma espécie de fardo da resignação do qual sofreu a vida inteira?
Tarde demais para especular.
Morreu um cordato e no meio do engarrafamento essa qualidade nunca me pareceu
tão necessária. A gentileza de dar passagem a alguém no trânsito é recebida
quase com descrédito pelo beneficiado, com um riso de agradecimento culpado ou o
polegar levantado como uma promessa: também vou fazer isso de uma próxima.
Tio Severino dirigia? Não sei. Só sei que num mundo em que se mata e morre por
status, poder, fama, para não dar passagem no trânsito ou por não se importar
com quem anda nas ruas, sua existência fez um enorme sentido. Boa passagem, tio.
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