sábado, 31 de março de 2012

Nosso campeão de audiência: o patch apliqué!



Alguém aí me explique por que alguns posts fazem muito mais sucesso entre os leitores que outros... Eu acho esse um mistério espantoso. Já escrevi coisas achando (*momento meio napoleônico*) que iam bombar e o fracasso foi retumbante. Outras vezes, um post sem a menor pretensão continua, semana após semana, entre os mais vistos de todos os tempos. Vá entender!!

Foi assim com o post sobre panos de prato usando a técnica do patch apliqué. É disparado o “mais preferido”, como diriam os meus meninos. Veja aí na barra lateral do Blog!




Aí recebo uma encomenda muito especial da Carol, uma amiga muito querida do trabalho que será mamãe de gêmeas: panos de prato especiais pro enxoval das bebês, com predominância do rosa seco.

Pensa, pensa, pensa. Domingo turbulento, nada melhor que projetar e começar algo. Optei por usar a técnica do patch aplique – sucesso de público – mais uma vez, mas dessa feita de um jeito um pouco... diferente.




Cortei círculos de tecidos coordenados e os colei na barra do pano de prato. Depois de secos, bordei em volta com o ponto caseado e cortei a sobra do pano de prato.

Gostaram do resultado? 



sábado, 24 de março de 2012

Como é triste e bonito o fim de um UFO...




Eu gosto das coisas simples que, por uma pequena variação, tornam-se diferentes e complexas. Tá, isso está mesmo meio contraditório, deixa eu tentar explicar...

O ponto reto é, por sua natureza, um dos pontos mais fáceis do meu dicionário de pontos. Porém, por ser muito fácil, não quer dizer que os trabalhos com esta técnica tenham que ser sem graça, simplórios.




Lembra quando eu mostrei esse projeto de almofadinha usando a técnica? O post rendeu comentários preocupados de algumas amigas sobre a ausência de bordas, o que veio a se revelar, realmente, uma besteira da minha parte... *cabeça dura, cabeça dura!*

Pois bem. O fato é que minha mãe, numa das vezes que esteve aqui, pediu para levar meu pequeno UFO e termina-lo. Não é a primeira vez que eu e minha mãe bordamos a quatro mãos, lembram?




Ela trouxe o bordado quase pronto, da última vez que veio.

É possível notar a diferença da tensão entre os meus pontos e os dela: isso é absolutamente fundamental em se tratando de ponto reto. A tensão entre as carreiras de pontos garante uma uniformidade maior e, conseqüentemente, a textura final do bordado é melhor.




Mas isso realmente não importa neste caso e, na verdade, faz toda a diferença para mim em termos de afetividade. Ainda não sei como o finalizarei, talvez uma borda bem colorida, em patchwork, quem sabe?

Sugestões??  


quarta-feira, 21 de março de 2012

O Atelier Caseiro na minha casa #2




Nesse comecinho de ano, eu e a minha irmã decidimos comprar alguns estojos rolinho do Atelier Caseiro para, durante o ano, presentear os colegas de sala dos meninos. Acreditem-me: são M-U-I-T-O-S aniversários ao longo do ano...
 
A qualidade e a beleza do estojo rolinho eu já conhecia do pedido anterior, presenteado aos meus sobrinhos. Mas a Aninha, desta feita, se superou: a caixa, contendo as nossas escolhas cuidadosamente separadas, era acompanhada de bilhetinhos carinhosos para cada uma e, além disso, embalagens de presente para cada estojo, com adesivos lindos em forma de lápis.




Isso é que se chama superar as expectativas do cliente! E tem gente que investe altas quantias em treinamentos sobre o assunto... Bastava comprar uma vez do Atelier e aprender! lol

A Aninha aproveitou a caixa e ainda teve a gentileza de enviar mais retalhinhos para alimentar minha fábrica de hexies. Ai, ai... Ter amigo é bom demais!




Adorei minhas compras, tenho certeza que os estojos rolinho farão muito sucesso entre os aniversariantes. Obrigada, Aninha, você realmente é diferente e muito especial!


domingo, 18 de março de 2012

Sugestão de embalagem de presente com o uso de viés



Enfim, eis o presente da pequena Clarisse, concluído. Sob o nome bordado em ponto russo, um viés estampadinho, em tons de lilás, e uma delicada renda de algodão branca.

Para a embalagem, usei papel crepom lilás e, sobre este, um papel encerado, branco, desses que vêm em caixas de camisas masculinas. Como já estava um pouco amassado, eu o amassei mais ainda, criando um efeito.




Atei o pacote com o mesmo viés estampadinho usado na toalha, arrematando com um laço. Numa das minhas tags de papel pardo, colei, com fita dupla face, um pedacinho do mesmo viés e fiz a dedicatória.




Simples, porém um pouco mais elaborado que o mero papel de presente. Além disso, aproveita e recicla materiais que iriam para o lixo e permite a você usar o que você já tem em casa, economizando recursos.

Aliás, agora ocorreu-me que eu posto tanto sobre embalagens que este blog deveria se chamar “Linhas Embaladas”!  *U*  E vocês? Usam materiais diferentes para embalar seus presentes?




quarta-feira, 14 de março de 2012

Linhas Escritas # Devagar




Eu me questiono muito sobre o tempo. Quando viajo para a cidade onde nasci, os dias passam devagar e minha mente acelerada duvida do passar das horas: “Ainda são 9h? Se eu estivesse em Fortaleza já seriam umas 14h!!”.

Por que isso acontece? O ritmo da cidade pequena pulsa em outra freqüência. As pessoas inspiram e expiram seus segundos com moderação, não com sofreguidão, como eu costumo fazer com meus minutos fugidios.

Foi esse incômodo que um dia me impeliu à leitura deste volume amarelo e perturbador. Eu queria entender em que momento passamos a perder, desperdiçar tempo, ao invés de ganhá-lo, com todas as facilidades do mundo moderno.




O que eu li libertou-me de diversas maneiras e impulsou-me a buscar novas formas de viver a rotina. Saber que existem muito mais pessoas preocupadas com as urgências desmedidas da modernidade foi um bálsamo. O movimento é consciente, pensado, estudado e praticado ao redor do mundo por pessoas que, como eu, compraram a “lebre” da vida atual e receberam o “gato” da ansiedade, do estresse, do sucesso a qualquer preço, da ausência de valores familiares, da superficialidade das relações, da despersonalização.

Carl Honoré mostra que a cultura da velocidade teve início durante a Revolução Industrial, foi impulsionada pela urbanização e cresceu desenfreadamente com os avanços da tecnologia no século XX. Com o mundo em plena atividade, o culto à velocidade nos impeliu ao colapso. Vivendo no limite da exaustão, estamos sendo constantemente lembrados por nossos corpos e mentes que o ritmo da vida está girando fora de controle. Este livro traça a história de nossa intensa relação de pressa com o tempo, e atrela as conseqüências e charadas de viver nesta cultura acelerada, criação nossa. Por que estamos sempre com pressa? Qual a cura para a falta de tempo? É possível, ou até mesmo desejável, desacelerar? Percebendo o preço que pagamos pela velocidade implacável, as pessoas em todo o mundo estão reivindicando o tempo delas e desacelerando o passo - vivendo mais felizes e, conseqüentemente, de forma mais produtiva e saudável. Uma revolução 'Devagar' está acontecendo”. (texto de divulgação)




E o quê a gente tem a ver com isso? Parto do pressuposto de que se você me lê ou chegou desavisadamente neste blog hoje é por que você, de alguma forma, curte o mundo craft, correto? Sendo assim, de alguma forma você entende que há muito valor em um artefato produzido vagarosamente, com esmero, usando técnicas que passaram de geração a geração e, agora, se disseminam pela blogosfera a uma velocidade espantosa.

Saiba que cada vez mais pessoas buscam o poder terapêutico e curativo das atividades manuais para desacelerar, valorização e sentido para suas existências ou, simplesmente, para “desplugar” um pouco.

A leitura desse livro pode ajudar você a refletir sobre quais os outros aspectos da sua vida que podem ser vividos de uma maneira diferente e, por assim dizer, mais craft. Anote aí minha recomendação: super-hiper-mega-high-power-uber-blaster-recomendadíssimo.



sábado, 10 de março de 2012

Quem tem medo de UFOs?


"Delícia! Ai, se eu te pego..."


Houve um tempo, há séculos, em que eu não conseguia largar um livro ruim, ainda que eu estivesse detestando sua leitura... Não sei bem por que era assim... Acho que eu era imatura demais, me sentia em dívida com o livro, achava que abandoná-lo seria assumir a derrota da minha resistência.

Graças a Deus o tempo passa e a gente vai deixando velhos hábitos ruins pelo caminho. A primeira vez que eu larguei um livro pela metade foi uma libertação. Com o tempo, entendi que o que é bom te prende desde o começo, ainda que vá e volte, muitas vezes, no tempo.


"Ser ou não ser, eis a questão."

Outra coisa que aprendi é que, como a Lua, tenho fases. Tem tempo que só leio, as agulhas não me chamam; dormitam, às vezes hibernam. Tem tempo que os livros são tão atraentes quanto sorvete de chuchu. Aí tudo passa e o prazer de determinada atividade volta, iniciando um novo ciclo de aproximações e afastamentos.

Meus UFOs me olham com olhos cobiçosos todo dia. Ficam por perto, gosto de imaginar que se reúnem em assembleias para deliberar sobre qual terá mais chance quando a ampulheta da vontade virar.


"Papai Noel me deu um presente de Natal..."

Nesses encontros, analisariam a tendência das minhas escolhas recentes:

-          “Ponto cruz? Ah, esse tá sem chance alguma! Ela não borda uma cruzinha desde julho do ano passado...”
-          “Ela só quer saber desse tal de Ponto Russo... Isso nem bordado é! Humpf!!”
-          “Esses hexies espaçosos se acham grande coisa... Ficam se espalhando por todo lugar, os folgados!”.


"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante..."

Coisa boa essa tal maturidade... Ensina que cada coisa tem seu tempo e cada tempo merece ter uma coisa só sua, prazerosa. Ensina ainda que, de vez em quando, algumas coisas vão ficar pelo caminho – projetos, bordados, amigos, hábitos, livros – para que viajemos cada vez mais leves. E pronto.


quinta-feira, 8 de março de 2012

Letras, lilás e ponto russo




Ando bordando muito em ponto russo e tenho tentado aprender mais sobre o uso “criativo” desta técnica (se me permitem um pequeno auto-elogio... lol). Normalmente, as revistas publicadas sobre o assunto mostram a técnica preenchendo desenhos, o que acaba por deixar um aspecto um tantinho grosseiro nos bordados, pelo menos em relação aos pontos livres, por exemplo.

Isso se deve ao fato da dificuldade de realizar contornos com o mesmo ponto ou com outros. O preenchimento é, por assim dizer, “espaçoso” demais, “fofinho” demais, e acaba por extrapolar o seu espaço.




Assim, eu mesma já havia decidido que priorizaria o uso da técnica em letras grandes e gordinhas. Flores delicadas? Melhor não. Na toalha lilás, presente para o nascimento da pequena Clarisse, comecei a bordar cada letra num tom diferente de lilás, depois de um longo e prazeroso estudo de cores.

Problema 1: quando bordei a primeira letra, essa ficou tão “cheia” que não se podia, ao certo, reconhece-la!! O que fazer?? Pensa, pensa, pensa... Retroceder? Talvez. Desistir? Jamais!! Desmanchei, fui fazer outra coisa e, na volta, decidi usar apenas dois tons de lilás: um mais escuro como contorno e um mais claro como “recheio”.

Tá, concordo... Ficaria muito mais bonito se cada letra fosse de um tom diferente de lilás... Mas, fazer o quê?? Às vezes, precisamos ser resilientes... Às vezes o ótimo é o grande inimigo do possível, do viável, do bom.




Problema 2: ponto russo devora linha! Tudo bem que eu opto por usar três fios na agulha, para que o ponto fique mais denso, é verdade. Duas letras bordadas e... puft! Acabaram as linhas! Atraso no “cronograma” e pausa para repor o estoque.

Já listei alguns novos projetos com esta técnica e, para me desafiar, estou pensando em bordar flores. Será que “morderei a língua”? Retomado o bordado, em breve mostro o resultado deste trabalho. Considerei o resultado muito feminino, concordam? 

E aproveitando este post lilás: feliz dia das mulheres para todas nós! *U*


sábado, 3 de março de 2012

Da arte de rir em ponto russo


Pedaço do nome da pequena ClaRISSE, que inspirou este poema.


Ah, se eu risse como gostaria...
Risse com gosto, sem querer controlar
Risse como se nada mais importasse
Risse, como se não pudesse parar

Ah, se eu risse como poderia...
Risse da seriedade da vida
Risse do mau humor que nos gasta
Risse de tudo que é ferida

Ah, se eu risse como sonharia...
Risse ao ver filhos casando
Risse com bolo quentinho, sorvetes e netos
Risse, sorrindo ou chorando


O avesso de rir ainda é riso.


Ah, se eu risse como ganharia...
Risse como quem oferece rosas
Risse como quem ganha asas
Risse, como quem lê boas novas

Ah, se eu risse como compreenderia...
Risse como quem, finalmente, entende
Risse como quem nada sabe
Risse, assim de repente

Ah, se eu risse como buscaria...
Risse como quem procura sonhar
Risse como quem encontrou
Risse como quem quer recomeçar

Ah, se eu risse como salvaria...
Risse como quem se ama
Risse, liberta de toda perda
Risse de toda eterna efêmera chama


Espectro.


Ah, se eu risse como pensaria...
Risse como quem pensa grande
Risse de ousadia
Risse, como se hoje não fosse bastante

Ah, se eu risse como vislumbraria...
Risse de olhos fechados
Risse olhando para dentro
Risse, mente e coração alinhados

Ah, se eu risse como facilitaria...
Risse do medo, do erro, do engano
Risse do escuro, da solidão, da mudança
Risse, a cada virada de ano




Ah, se eu risse como reconheceria...
Risse de mim, para mim, por mim
Risse com você, de nós, deles
Risse, desde o começo até o fim.





PS: A foto de parte do bordado, em ponto russo, do nome Clarisse, inspirou esse poeminha.
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