sexta-feira, 27 de janeiro de 2012




Eu comecei a usar o Facebook com muita cautela... Primeiro, por que tenho muita vergonha alheia, acho algumas exposições demasiadas. Depois, por que temos a fantasia de que o mundo virtual preenche determinados requisitos que o mundo real não consegue e, normalmente, as decepções são imensas ao constatarmos que isso é ilusão.

Assim, de vez em quando, faço o saudável movimento de bloquear pessoas que me “solicitaram amizade” (isso por si só já é bem estranho!) e que, ou não interagiram comigo de jeito nenhum (qual o sentido de serem meus “amigos”?), ou me aborreceram com seus posts inadequados, chatos, ofensivos, etc, etc, etc.

Mas estou me alongando nessa lengalenga sobre o Facebook e deixando de falar de uma das coisas mais bacanas das redes sociais que é a mobilização. E foi em torno de uma causa social – a “reintegração” de um terreno conhecido como Pinheirinho, no interior de São Paulo – que uma mobilização craft aconteceu.

A Andréa convidou um punhado de gente que saiu convidando outras pessoas e rapidamente uma inquietação/indignação da Andréa (e de outros) tomou corpo, forma e atitude: surgiu um esforço nacional para apoiar as crianças que passaram pelo trauma de perderem suas casas com o conforto de um brinquedo handmade, doado por quem quiser ajudar a minimizar os efeitos dessas dores na infância.

Inspirado num exemplo internacional - Dolly Donations - e apoiado sobre seus talentos e disponibilidades, o grupo resolveu ajudar com o “supérfluo indispensável” – o brinquedo, defendido por muitos estudiosos como importante contribuição para a transição/superação da vivência de crises.

Você prefere doar alimentos, remédios, cobertores? Excelente! Vá em frente! Tudo isso é importante e necessário. Nós doaremos o que normalmente é esquecido, relegado a um quinto plano, e que pode fazer brilhar alguns olhos, secar algumas lágrimas, recuperar algum sonho. E isso vale muito a pena, não?



domingo, 22 de janeiro de 2012

Tamanho não é documento



Depois de ter mostrado minha pequena coleção de imagens de São Francisco neste post, minha irmã me presenteou com esta escultura minúscula:




Sim, seus olhos não o enganaram, o Santo foi esculpido em um lápis! Não é interessante?!

A minha irmã o encontrou no Ceart, um centro de artesanato bastante famoso aqui de Fortaleza, mas não soube me informar o nome do artesão. É um trabalho delicado e, segundo ela, havia vários Santos e Santas, todos esculpidos em lápis.



Para reuni-lo aos demais, enfiei o lápis numa borracha, já que os dois são velhos conhecidos, não é mesmo? Lol Isso permitiu que o lápis ficasse de pé, criando a altura suficiente para o meu minúsculo São Francisco ser visto.

Gostaram? Será que um dia encontrarei uma imagem ainda menor? Boa semana a todos!




quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O que há no final do arco-íris?



Quando a Andréa mostrou sua estante de livros organizada por cor, eu fiquei babando... Oh, my! Por que eu nunca pensara nisso?? Minha mente, nada cartesiana, vivia se debatendo sobre formas diferentes de agrupar, organizar, e tornar mais fácil o acesso aos meus 300 queridinhos, que habitam uma estante de módulos pretos e brancos do nosso escritório.

Ordem alfabética, lidos x não lidos, séries, tipos similares: eu havia tentado de tudo e, por fim, elaborado uma planilha de controle somente para registrar os empréstimos, as doações, o censo mensal.

Acho que já falei em outras oportunidades sobre meu vínculo infantil com os livros e, por mais que hoje eu saiba que terei, um dia, um tablet, acho que será necessária uma espécie de “desmame”.

Porém, enquanto isso não acontece, a Andréa aumentou minha vontade de mudar a estante de casa com este vídeo:




Ela disse: “Você vai pirar!” Resultado? Pirei!

Botei tudo abaixo, não sem antes fazer um planejamento. Quantos livros vermelhos? Quantos azuis, amarelos? A maioria usa pretinho básico??? Que coisa mais sem ousadia!!! Pilhas de livros agrupados por cor no sofá do escritório, foi a vez de selecionar as posições na estante.

Mas, vejamos... Os módulos da estante têm tamanhos e formatos diferentes, além das cores contrastantes (preto e branco), não ficaria mesmo tão fácil de organizar como numa estante de prateleiras lineares, mais ao nível do olhar. Ai, ai... Bem que a Andréa avisou que ia dar trabalho...

Por fim, decidi que os livros amarelos, vermelhos e azuis ocupariam os módulos pretos:





Os clássicos de capa dura continuaram juntos, mas as cores foram agrupadas:



As séries também ficaram juntas, numa prateleira mais alta:



Os brancos ocuparam duas prateleiras pretas, apesar do “esforço” do homenzinho de cristal para que eles coubessem numa só:



Os pretinhos fizeram contraste com o fundo branco, e problema mesmo só com a pequena quantidade de capas verdes:



Os meus São Franciscos ganharam um lugar só seu, bem destacado:



Para eu não enlouquecer tentando lembrar a cor da capa de cada volume, alterei a planilha para incluir a separação por cor. Trinta e três títulos foram retirados do acervo e seguiram para doação. Quero manter realmente só os livros que pretendo reler.

Ah, o que há no final do arco-íris? Reza a lenda que há um tesouro. Não, não são moedas ou pedras preciosas. São miríades de palavras entrelaçadas que formam o meu tesouro e suas cores.


domingo, 15 de janeiro de 2012

Linhas Escritas # O Pão da Amizade




Eu tinha alguns livros para compartilhar com vocês, mas os posts já escritos foram solapados por este insuspeito presente de amigo secreto, que ganhei da doce Val em nosso último encontro.

O enredo do Pão da Amizade é de uma simplicidade incrível: numa pequena cidade americana, as histórias de diferentes personagens, seus dramas pessoais e familiares, são para sempre interligados e modificados quando alguém recebe uma estranha massa num saco plástico e a receita para fazer e compartilhar o chamado “pão da amizade”.



Ainda lembro a primeira vez que algo semelhante aconteceu na cidade onde nasci, só que lá, a “esponja” era dividida para a feitura do “Pão de Jesus”. Esta deliciosa iguaria é um pão macio, meio adocicado, dizem que originalmente feito por padres e freiras. Lembro que fizemos o pão e que ficou muito, muito bom.

Lá no trabalho, alguém sempre me pergunta se quero comprar e juntos encomendamos, recebendo apenas os pães já prontos que são devorados em poucos minutos pelos meninos em casa. Não ter conservantes ou outras substâncias ruins já é uma benção, imagine ser, além disso, delicioso!

Recebi o meu presente de amigo secreto alegremente, todos que me conhecem sabem o quanto adoro livros, mas não estava ansiosa para começar a lê-lo, apenas curiosa. Em casa, comecei a folheá-lo e foi impossível parar de ler! A leitura quebrou um longo jejum: há meses eu tentava encontrar tempo para retomar meu ritmo, sem sucesso.

“Devorado” em tempo recorde, o livro me levou às lágrimas no cabeleireiro, o que é um excelente indicador (lol). Sua leitura foi como uma fatia de pão quentinho com manteiga, perfeita para quando você quer ter momentos de prazer e emoção, sem qualquer compromisso.

Por que a vida precisa de mais leveza, anote aí minha recomendação: super-hiper-mega-high-power-blaster-uber-recomendadíssimo.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Presentes: tão longe e tão perto




O primeiro envelope que recebi este ano veio da minha querida Nia, uma pessoa cheia de energia e criatividade: raminhos delicados de azevinho em feltro, com pequenas perolazinhas... Ah, Nia, quantos beijinhos foram trocados por conta deste presentinho... lol


Olha que coisa charmosa, esse selo.




Em outro pacote, retalhinhos da Aninha, do Atelier Caseiro, para ajudar a compor minha colcha de hexágonos: rostos de delicadas matrioskas, gatinhos preguiçosos, flocos de neve dourados, jacarés engraçados... Ah, Aninha, os olhinhos brilhantes da minha mãe, apreciando cada pedacinho de pano e eu me vendo neles? Não tem preço... Obrigada de novo, amiga!





Acompanhando uma bem-vinda garrafa de vinho tinto, uma pequena revolução da Gislene: panos de copa bordados em vagonite, mas do jeito mais moderno que eu já vi! Ah, Gis, tantos planos para o novo ano são mais bem elaborados com uma taça de vinho nas mãos... Saúde! Muitos anos mais de convivência para nós duas!






Outro envelope, vindo de terras encantadas do Pará, encheu meus olhos e despertou uma vontade há muito enterrada: pintar tecidos. A Isa, minha amiga artista (uma das artesãs mais completas que conheço!) me enviou uma de suas pinturas e eu fiquei babando... Ah, Isa, como foi bom ouvir sua voz e reacender a crença de que eu poderei, um dia quem sabe, pintar como você... Obrigada por todos os momentos preciosos de 2011!


Vejam os detalhes dos corações em patch apliqué. Lindo!




A Nathália talvez seja uma das pessoas que mais me conhece além de mim mesma... Aí fica fácil agradar meu coração, né? Óbvio que seria mesmo difícil me presentear depois deste regalo, porém a Nathália teve a gentileza de escolher a nova obra de um autor de quem falei dias a fio. Ah, Nathália, a delicadeza da nossa amizade, quer você lembre de todos os detalhes ou os tenha esquecido, é pra guardar no lado esquerdo do peito.

Por fim, a todos que de vez em quando (ou freqüentemente) visitam o blog e, quando são tocados por algo, deixam, gentilmente, um comentário, meu muito obrigada. Cada comentário é um sorriso brotando nos lábios e um calorzinho gostoso no coração!


domingo, 8 de janeiro de 2012

A filha de Francisco



Todas as três vezes que a minha mãe ficou grávida, meu pai, que é Francisco, nos consagrou a São Francisco, seu santo de devoção e, por isto, somos todos Franciscos + alguma coisa.

Durante a infância, nas romarias à cidade de Canindé, não entendíamos direito o que representava a fé, a devoção dos romeiros... Para nós, crianças, aqueles eram apenas dias de férias com papai e mamãe. Aventura. Sair da rotina.




Meu encontro com Francisco (o Santo) aconteceu muito tempo depois, já adulta, depois de aceitar o nome com o qual fui consagrada (explico: é que a combinação Francisca + Simone nunca me pareceu tão bonita quanto Ana + Maria, Maria + Clara... Paciência!).

Mas como eu dizia, só adulta consegui ter a perspectiva de quem foi Francisco de Assis e por que ser Francisca poderia ser tão maior e mais bonito do que eu aventara até então.




Não sei sobre sua orientação religiosa nem vou aqui expor a minha. Mas o exemplo de Francisco de Assis transcende a questão religiosa por seu amor aos desamparados, seu desapego às coisas materiais, a sua ligação com o meio ambiente e os animais. Profundamente envolvido com os problemas de seus semelhantes, ajudou a disseminar a fraternidade como um valor.

Eu comecei a colecionar imagens de São Francisco há algum tempo e a minha amiga de infância, Karla, as viu no escritório, quando esteve em minha casa. Há alguns dias, recebi uma mensagem dela dizendo que tinha mandado uma encomenda para mim, porém nem cheguei a suspeitar que pudesse ser um São Francisco.

Fiquei muito emocionada quando abri o pacote. Havia um São Francisco em madeira, uma escultura muito delicada, com pequenos passarinhos. Lindo, lindo. Adorei o presente e este Francisco já faz companhia aos outros dois.




Coincidentemente, no Natal, chego ao comércio da minha mãe, na cidadezinha onde nasci e, bem no alto da parede, uma linda moldura oval de madeira trabalhada, com uma imagem já amarelada do Santo.

Encantada por aquela peça histórica que, segundo meu pai, tinha mais de 30 anos só naquela parede, fiz deste o meu presente de Natal e esta passa a morar na minha Memorabilia.




Mais que um culto à imagem, o objetivo é lembrar que a humanidade de todos nós é feita de pequenos gestos de amor, respeito e desapego.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ano Novo, Hexies Novos



Bom, entre outras coisas, o projeto da colcha utilizando os minúsculos hexágonos continuará em 2012. É realmente um projeto de long(uíssim)o prazo, eu sei... Talvez seja mesmo uma loucura rematada, mas, fazer o quê?? Agora que comecei, pretendo termina-la, ainda que isso leve alguns anos.

Os hexies andavam meio de lado, por conta dos projetos de Natal, porém, um presente vindo do frio Rio Grande do Sul aqueceu meu coração nordestino: a Aninha, do Atelier Caseiro, enviou-me uma caixinha recheada dos mais lindos e preciosos retalhos, para contribuir com o meu projeto. Eu não poderia mesmo querer um presente de Natal melhor...




Sentada na calçada da casa dos meus pais, numa cadeira de balanço que já existia quando eu era pequena, olhando as nuvens de chuva acenando no horizonte, ouvindo a algaravia das crianças brincando e brigando, curtindo as conversas e história dos locais, não conseguia pensar em nada melhor a fazer que não confeccionar hexies, olhando as pequenas figuras que vão, um dia, decorar cada centímetro da futura colcha.




Obrigada, Aninha, por estes momentos de prazer aumentados pela delicadeza do seu gesto, por um encontro feliz unindo mãos e corações e, por último, mas não menos importante, pela oportunidade de ter pedacinhos de seu carinho e de sua amizade neste meu projeto.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Jericoacoara: o buraco das tartarugas ou onde o jacaré dorme?


Na Lagoa do Paraíso, que tal deitar na rede ou tomar uma água de côco dentro da lagoa?

 

Um final de semana passado, viajamos para o Parque Nacional de Jericoacoara com os meninos, uma aventura que certamente ficará gravada na memória deles.

Para chegar na praia que já foi eleita uma das mais bonitas do mundo, enfrentamos mais de 5 horas de ônibus e mais 1 hora de sacolejos sobre as dunas num caminhão adaptado com assentos, chamado bucolicamente de “Jardineira”.

No meio do trajeto entre Jijoca, onde o ônibus nos desembarca, e Jeri (a gente logo fica íntimo do lugar e usa apenas este diminutivo...), o cenário é desértico, com dunas alvas, praias lindas e solitárias, uma imensidão varrida pelo vento morno e forte. Aqui e acolá uma árvore retorcida, um farolete, uma cabana abandonada.


No veículo oficial de Jeri, os meninos exigiram muitas fotos... lol


De repente, gringos e locais colorem o horizonte com seus equipamentos de kitesurf. A vila, mais povoada e animada do que eu me lembrava (fazia uns 17 anos que eu fora pela primeira vez...), não nos apeteceu muito com suas ruas de areia, preços altos e música ruim...

Porém, o passeio de buggy, o banho das lagoas de água doce no meio das dunas e o contato com a natureza nos conquistaram para sempre. Fizemos planos de novos finais de semana em alguma das inúmeras praias do nosso estado e a promessa de sermos para sempre felizes como naquele dia, olhando o pôr-do-sol de Jeri...


"Mãe, olha como eu sou fortão!"


Por fim, não compreendendo por que Jeri siginificaria “o buraco das tartarugas” ou, ainda “terra do jacaré dormindo ao sol”, já que não avistamos quaisquer exemplares destes animais por lá, a resposta dos meninos foi decisiva e convincente: “são os formatos das dunas, oras!”. Está de bom tamanho para mim.


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